segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Encerramento

É com muito pesar que nos despedimos de mais um ano da MIMO. Sempre fica aquela ressaca, aquele gostinho de quero mais, aquela saudade de acordar todos os dias e correr para ver a programação, preparar as pernas para mais um sobe e desce de ladeiras em ritmo apressado a fim de não perder o próximo concerto. A pausa nas barraquinhas de tapiocas e acarajés para fazer aquele lanche e aguentar a maratona.

Ano após ano existe sempre grande expectativa em torno do line-up que virá. As edições anteriores sempre ficam rodeando nosso imaginário e esperando que a próxima continue nos presenteando com tantas atrações de qualidade - assim como foi mais uma vez esse ano.

Nesses nove anos de história, a MIMO sem dúvidas entrou para o hall dos melhores (senão o melhor) eventos de música instrumental do país e só fez crescer. Ano que vem, a mostra ganha sua décima edição e como sempre quem vai ganhar o presente somos nós, que teremos o prazer de poder conferir mais uma edição de sucesso. Parabéns à toda a equipe que faz esse festival acontecer. Que venha 2013!

Foto: Beto Figueiroa

Final apoteótico, com fogo e tambor

Crédito: Beto Figueroa/ O Santo/ Divulgação
Fosse em uma das ladeiras da Cidade Alta e não na Praça do Carmo, quem esteve no show de encerramento da MIMO ontem, com o maestro Letieres Leite e sua Orkestra Rumpilezz, bem que poderia ter se sentido no Pelourinho, de Salvador. A apresentação começou às 20h30, acompanhada por uma multidão que lotava Olinda desde as primeiras atrações do dia e foi engrossada pelos que curtiam as prévias carnavalescas que já tomam conta dos domingos na cidade.

Notoriamente feliz por participar do evento, Letieres afirmou que era uma honra estar em Pernambuco, estado de grande riqueza musical, e mostrou que de qualidade e música ele entende. Foi irretocável e contagiante a execução das composições do disco homônimo, lançado pela big band em 2009. Faixas como Anunciação, Dazarábias e Temporal arrancaram palmas da plateia, que vibrava com a percussão potente e os instrumentos de sopro que conferiam o toque de jazz. Teve até homenagem a Neguinho do Samba.

Ao final do concerto, e também da Mostra, era impossível querer ir embora. Letieres entendeu e presenteou o público com BIS e uma apoteose que só os tambores baianos e o fogo poderiam propiciar - cuspidores deram um tom circense ao espetáculo, no meio do público. As entidades do candomblé abençoaram a MIMO e deixaram os bons agouros para a edição que vem. Olhando os sorrisos nos vinte músicos de branco no palco e dos presentes no show, ficou a sensação de que se o próximo ano tiver metade da energia boa de ontem, já estará a contento.
 

Virtuosidade de Arismar impressiona

Foto: Beto Figueiroa/O Santo
Apesar encerrada a programação na Igreja da Sé, muitos subiram as ladeiras de Olinda na noite deste domingo, último dia da MIMO 2012, para conferir a apresentação do multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, no Seminário de Olinda.
Mostrando bastante virtuosidade com as cordas, seja no violão ou na guitarra, o músico apresentou o repertório de seu mais recente trabalho, "Alegria nos Dedos", sendo acompanhado por uma flauta transversal e um trombone, e transitou por diversos ritmos como o samba, o jazz, valsas e chorinhos.
Com 37 anos de carreirra, Arismar já mostrou seu trabalho em diversas partes do globo, tendo tocado com Hermeto Pascoal, Dori Caymmi, João Donato, Paquito D’Rivera, Toninho Horta, Ivan Lins, entre outros. Hoje em dia, o músico também ministra aulas.
"Já acompanhava a algum tempo a carreira de Arismar e não conhecia esse novo trabalho dele. Gostei bastante das músicas e de sua apresentação", comentou a aposentada Maria José dos Santos.

Eu estive na MIMO

Foto: Facebook

Neste último "Eu estive na MIMO", conversamos com a estudante de Ciências Sociais, Tainã Ramos Leal. Olindense, ela falou sobre sua relação com o festival, e shows que lhe marcaram. 

Eu acho que a MIMO é importante porque movimenta o Sítio Histórico de Olinda, mas principalmente porque aproxima as pessoas para um tipo de música que elas não estão tão acostumadas a consumir. Um dos melhores shows que eu tive a oportunidade de assistir no festival foi o de Philip Glass, no ano passado. Eu queria muito ver um show dele e a MIMO me deu essa chance, de ver um show incrível, e ainda por cima de graça. Não vi muitas apresentações neste ano, mas assisti o Duo Assad do lado de fora da Igreja da Sé, e foi muito bom, o som estava ótimo e todos estavam respeitando, o que é um ponto bastante positivo do festival, o público atento e realmente interessado na música.

Lu Araújo fala sobre a MIMO 2012

Foto: Beto Figueiroa/Usefoto
Ao final de doze dias de evento, afora os de preparativos, a exaustão é visível, mas não o suficiente para tirar a expressão de satisfação de Lu Araújo, diretora executiva da Lumearte - empresa que produz a MIMO. Poderíamos estar exagerando nesse ponto, porém, a cada conversa com frequentadores de concertos, músicos, jornalistas e outros mais, não faltaram sorrisos, balanços positivos e ideias para a traçar os planos para 2013, no décimo ano da Mostra. Em depoimento especial para o Blog da MIMO, Lu explica o porquê de sua alegria.

Estou de alma lavada. Mais feliz impossível.

Tivemos nos últimos anos uma evolução não só econômica como cultural no país. Por isso, a MIMO está vivendo um boom, mas não é possível que isso seja somente com a MIMO. É pra ser no Brasil todo.

O brasileiro adora música. É muito interessado por novos gêneros, ritmos, artistas, e tudo isso nós trazemos para cá para Olinda, Recife e João Pessoa, além de Ouro Preto.

A Etapa Educativa lotada, os concertos também... Valeu a pena. Tenho certeza que a gente está fazendo bem pra muita gente. Sempre prezando pela diversidade musical. Este ano foram artistas de Cuba, Portugal, Camarões, França...

A gente percebe, ao final das contas, que não há limites pra música.

domingo, 9 de setembro de 2012

Cantorias do sertão brasileiro

No concerto da Igreja do Convento de São Francisco, Ivan Vilela e Andrea Luisa Teixeira trouxeram as múltiplas sonoridades do cerrado brasileiro, conforme estava previsto, porém a dupla foi mais adiante e abriu espaço para os Beatles e para a música clássica brasileira durante a apresentação.

Nas três primeiras peças, Ivan Vilela atuou solo, tocando Paisagens (música que deu título a um de seus CDs mais vendidos) e Viola quebrada, ambas de sua autoria, intercaladas por um arranjo de Eleanor Rigby, de John Lennon e Paul McCartney.

Em seguida, Ivan conversou com o público e falou um pouco sobre a viola caipira, antes da entrada de Andrea Luisa: "Com todos esses atributos brasileiros (caipira, sertaneja etc.), ela é um instrumento português, de pelo menos oitocentos anos, e que deu origem ao violão. Veio de Portugal já com nove afinações e hoje tem cerca de 20 aqui no Brasil".

Já com Andrea Luisa em cena - que explicou à plateia a origem do Projeto Cerrado, criado por ela em 1998 -, os compositores do cerrado tiveram vez com as músicas Luz dourada, de Juraildes da Cruz, e Anjo alecrim, de Anacleto. Depois, Andrea fez uma participação solo ao piano interpretando três peças eruditas: Allegro appassionato, de Alexandre Levy, Dança de Negros, de Fructuoso Viana, e o Frevo n° 1, de Marlos Nobre.

Na parte final, um arranjo da Cantilena da Bachianas n° 5 de Villa-Lobos e de Passarim, de Tom Jobim, antecedeu as músicas finais, de autoria novamente de Ivan Vilela (Sertão e Armorial) e de outros autores do Centro-Oeste e Sudeste: Recortado para Ivan, de Deuler Andrade, e Nós fieis, de Gustavo Veiga e Carlos Brandão.

Na bruma leve da despedida

São sete dias de festa, vinte homens de branco trajados, centenas de outros na plateia, milhares de sonhos sanados. A MIMO 2012 chega ao fim em grande estilo, com show de Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, uma das bandas mais inovadoras que surgiram no cenário musical brasileiro dos últimos anos. Misturando o afro-jazz a elementos do candomblé, com ênfase à percussão, a big band se apresenta na Praça do Carmo, com a turnê Feira de sete portas. No repertório, faixas autorais como Alafia e Floresta azul, enfeitadas pelos instrumentos de sopro, atabaques, caxixis e agogôs. Completando a referência à Alceu Valença do começo do post (que por sua vez havia citado Carlos Pena Filho em sua Solibar), o vídeo da faixa Anunciação. Esta, porém, quem toca é Letieres e sua super orquestra.



CONCERTO | Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz
DATA | 09/09
HORÁRIO | 20:30
LOCAL | Palco da Praça do Carmo

Arismar do Espírito Santo encerra shows do Seminário

Foto: Divulgação

O show do multi-instrumentista e compositor Arismar do Espírito Santo encerra a maratona de apresentações no Seminário de Olinda, neste domingo, às 19h. Arismar se destaca pela habilidade e na guitarra, contrabaixo, piano, violão e bateria, e foi eleito em 1998 pela Revista Guitar Player como um dos 10 melhores guitarristas/violonistas do País.

Em 37 anos de carreira, o músico já atuou ao lado de nomes como Hermeto Pascoal (numa turnê por sete países europeus), Dori Caymmi, João Donato, Paquito D’Rivera, Toninho Horta, Ivan Lins, Leny Andrade, Hugo Fattoruso e George Benson. Para o show da MIMO, Arismar faz o lançamento do seu novo álbum, "Alegria nos Dedos", álbum que transita por gêneros como o samba, o jazz, afoxé, choro-canção, xote, e valsas.

CONCERTO | Arismar do Espírito Santo
DATA | 09/09
HORÁRIO | 19:00
LOCAL | Seminário de Olinda

Pura catarse

O concerto de Maria João e Mario Laginha ontem, no Seminário de Olinda, foi catártico. O repertório minunciosamente escolhido foi o primeiro dos acertos, que ocorreram desde o figurino da cantora, com nuances de ninfa ou de sonho. Músicas do último álbum, Chocolate, como From a wide open window e a genial versão para Goodbye pork pie hat encantaram com seu pop jazz. Mas foram as execuções de velhas conhecidas da dupla, como a belíssima Cair do céu (muito bem casada com a atmosfera sacra da igreja, cuja acústica foi brinquedo para Maria) e Parrots and lions, que deslumbraram a plateia e exigiram aplausos calorosos.

Entretanto, para além do excelente domínio que a portuguesa tem de sua voz e da arte de interpretar uma música, bem como do virtuosismo de Laginha no piano, o que merece destaque é o alcance que tem seu trabalho. Não raro percebi pessoas emocionadas, com olhos vidrados na cantora e sorrisos incontidos. E, se não conseguiam entrar no clima, gargalhavam, incomodadas que estavam com os incríveis manejos vocais. Havia um rapaz com um fone de ouvido, acompanhando a namorada, que no meio da apresentação desistiu do acessório e voltou sua atenção para o show. Fez bem. Foi exatamente no momento em que Maria João comentava sobre sua felicidade de estar na MIMO. Em seguida, transmitiu isso em forma de canto, ao nos presentear com Beatriz, de Edu Lobo e Chico Buarque.

O sentimento foi tanto que o público extasiado não conseguiu apenas aplaudir, foi preciso ficar em pé. Lá no palco, Maria João explicava que pra ela aquela era a canção mais linda do mundo. E, bem, a interpretação foi uma das mais lindas. Não é de se estranhar que os presentes não quisessem ir embora. Ao final da apresentação, boa parte da plateia permaneceu na igreja, pedindo mais. Infelizmente, havia ainda dois concertos naquela noite e não era possível estender. Para quem ficou sentindo falta do bis, fica o vídeo abaixo.


Chucho Valdés improvisa um Carnaval


Chucho no bis/ Crédito: Followgram da MIMO

Chucho Valdés nem precisava ter tocado Máscara negra para que se pudesse perceber que o clima ontem no Alto da Sé já era de folia. Uma multidão lotou a igreja e seus arredores para assistir a aguardada apresentação do consagrado pianista cubano, que teve início dez minutos antes do horário marcado.

Os standards You don't know what love is e Sheherazade alternavam erudito e jazz clássico com cumbias em Zawinul's mambo e Contradanza. Suingue não faltou e, se precisava se conter para não sair dançando pela igreja, a plateia não escapava de uns pezinhos e cabeças mexendo aqui e ali. Sabendo fazer quase um ano do último festejo de Momo, certamente Chucho não teria levado a mal.

Os dois bis com que presentou o público em um espetáculo com cerca de 1h30 de duração entregavam que o gigante cubano também queria festa. O riso e a alegria de quem desceu as ladeiras para a apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda mostravam que ele ofertou uma. Foi quase um sábado de Carnaval.


Eu estive na MIMO

Foto: Facebook
A nosso convite, o professor de música Lucas de Moura, que esteve no concerto do Duo Assad (sexta à noite), preparou um depoimento pra o Blog da MIMO. O texto abarcou vários momentos da apresentação, por isso reproduzimos aqui os principais trechos.


O Duo Assad, que se apresentou na Igreja da Sé, demonstrou seu vigor artístico, fruto de muita vivência musical e estudo. A sonoridade entrosada dos dois violões e a atmosfera própria imprimida a cada música tocada é resultado de uma carpintaria cotidiana que já dura mais de 30 anos.

O concerto começou com Eponina, valsa de Ernesto Nazareth (1863-1934). Um momento de extrema delicadeza: a vibração era única, e os dois violões, mesmo cada um tendo as suas características de timbre e fraseado, se encontravam no mesmo pulsar.

Foram executados dois números da suíte Retratos, de Radamés Gnatalli (1906-1988): Ernesto Nazareth (Valsa) e Chiquinha Gonzaga (Corta-jaca). A valsa faz referência ao clima delicado do início do concerto, enquanto o corta-jaca exige velocidade e cuidado para não esbarrar nas notas.

Após o corta-jaca de tirar o fôlego, foi o momento solo de Odair com a Sonata del caminante, composta e a ele dedicada por Leo Brouwer (1939). A música faz referência ao que o compositor viu e ouviu em sua passagem pelo Norte-Nordeste do Brasil: a Amazônia, os índios, o sertão nordestino e o ritmo do baião, tudo isso captado por Leo de maneira bastante pessoal. Odair mostrou toda a sua capacidade comunicativa, sua técnica e sua sonoridade apurada.

Seguiram-se duas peças célebres de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), originalmente para piano, em arranjo para dois violões de Sérgio Assad: A lenda do caboclo e o Choros n° 5 (Alma brasileira). A sonoridade do duo nessas músicas é impressionante: a atmosfera emocional, os rubatos bem colocados. Emocionante.

A seguir, o nuevo tango do argentino Astor Piazzolla (1921-1992): dois movimentos da Suite troileana, em mais um arranjo de Sérgio Assad. Intensidade emocional, contrastes rítmicos. Seguiu-se o singelo Palhaço, de Egberto Gismonti (1947), em mais outro arranjo de Sérgio Assad.

A última música do programa, Tahhia li Ossoulina, é uma homenagem de Sérgio Assad às raízes orientais de sua família. Como bis, o duo tocou a Valsa venezuelana n° 3 de Antonio Lauro (1917-1986), talvez em arranjo também de Sérgio. 

Assistir ao Duo Assad foi uma grande experiência musical, arrisco dizer, não só para mim como para todos os que estavam na plateia. A sonoridade integrada dos dois comunicou diferentes afetos, diferentes climas, mantendo o público atento do começo ao fim.

Orquestra Contemporânea de Olinda é bom demais!

foto: Tom Cabral

Ontem, sem dúvidas, foi o dia mais movimentado da MIMO. Mesmo com um tempo meio fechado, um público bem misto lotou a Praça do Carmo para receber o show da Orquestra Contemporânea de Olinda

Apresentando principalmente as canções do seu segundo trabalho autoral, o disco Pra Ficar lançado mês passado, a banda contou com algumas participações. Subiram ao palco além do americano Arto Lindsay, guitarrista e produtor do disco, a cantora recifense Isadora Melo, que também gravou voz no cd, e o percussionista Lucas dos Prazeres, que foi ovacionado pela platéia.

Além das músicas do disco novo, a banda tocou algumas velhas conhecidas do público como Canto da Sereia, presente no primeiro trabalho e ainda a música A Roda, de Gilberto Gil, e perto do fim, a surpresa que foi o ponto alto da noite: Ciranda de maluco, do cantor Otto, fez toda multidão rodar e cantar em uníssono desejando que o carnaval chegue o mais rápido possível.

sábado, 8 de setembro de 2012

De viola e de flauta

Neste domingo, às 18h30, na Igreja do Convento de São Francisco, o violeiro mineiro Ivan Vilela e a flautista goiana Andrea Luisa Teixeira farão uma das últimas apresentações da MIMO 2012, contemplando a música "de raiz" do interior das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

Ivan tem mais de 15 CDs gravados e já ganhou o Prêmio Sharp em 1998 (você pode baixar faixas selecionadas de toda a discografia no site oficial do músicos) enquanto Andrea atua também como pianista e está fazendo doutorado em Lisboa.

Em lugar de mais explicações, confira a seguir, uma das músicas que farão parte do repertório desde domingo. Ouvir é mais fácil.

Naipes, orquestras e quartetos

Foto: Beto Figueiroa/O Santo

Não faltaram oportunidades, hoje na MIMO, para os fãs de música clássica que esperavam repertório de primeira. Logo pela manhã, os alunos das oficinas de instrumentos da Etapa Educativa executaram, no Teatro de Santa Isabel, obras de Gustav Holst (Suíte St. Paul, para cordas), Villa-Lobos (três movimentos do Quarteto de cordas n° 1), Ernst Mahle (Divertimento hexatonal para cordas), Emil Hartmann (Serenata op. 43, para sopros) e Edino Krieger.

De Krieger, foram tocadas a Suíte para cordas, a Serenata a cinco (para quinteto de sopros), Embalos (idem) e a Fanfarra concertante (sobre motivos do Hino Nacional Brasileiro) (para metais).

***

O compositor residente da MIMO 2012 também compareceu ao concerto de encerramento da sexta edição do Curso de Regência comandado pelo maestro Isaac Karabtchevsky, que lembrou a relevância da continuidade dessa iniciativa pelo festival: "O número de orquestras no Brasil já é pequeno e são poucos os regentes no país que são oportunidades aos jovens. Eu mesmo enfrentei isso no início de minha carreira em São Paulo"

Os alunos do curso selecionados para conduzir a Sinfônica de Barra Mansa - cujo empenho de seus integrantes foi reconhecido por Karabtchevsky, Edino Krieger e pelo público ao longo do concerto - foram os seguintes:

1. Abertura de "A flauta mágica"
- Daniel Nery (SE)

2. Sinfonia Eroica
- Antonio Henrique Seixas (RJ)
- José Renato Accioly (PE)
- Juliano Aniceto (RJ)
- Leonardo David (ES)

3. Terra Brasilis - III. O encontro
- Alfredo Barros (CE)

4. O pássaro de fogo - suíte
- João Carlos Rocha (SP)
- Ubiratã Rodrigues (RJ)
- Jorge Luis Uzcátegui (Venezuela)

***

Já na Basílica do Carmo, o Quarteto Borromeo realizou um concerto intimista e que não despertou nenhum fato alheio à execução musical que proporcionaram. Tudo estava contido ali, nas partituras que - fato inédito na história da MIMO, diga-se - podiam ser acompanhadas pelo público por uma projeção em tela. Vale a acrescentar que as partituras eram originais: o terceiro quarteto Razumovsky podia ser visto como deixado pelos garranchos traçados por Beethoven.

O repertório do Borromeo em João Pessoa e no Recife deu-se como anunciado pelo Estado de São Paulo:

"Começa com três animações de Nick emoldurando arranjo da famosa fuga para órgão de Bach BWV 552, o Vivace do quarteto opus 135 de Beethoven e Santa Claus is Comin to Town, música de Coots e Gillespie arranjada por Nick a partir da versão do pianista de jazz Bill Evans. Em seguida, a estreia sul-americana do quarteto Love Notes to Napa, de Daniel Brewbaker, compositor norte-americano de 61 anos, com projeção de partituras; e o terceiro dos quartetos Razumovsky, opus 59, de Beethoven, com projeção do manuscrito".

Nos passos de Chucho

Chucho Valdés toca melodias de jazz como se fossem cubanas e melodias cubanas como se fossem jazz. Compreensível se levarmos em consideração que ele cresceu assistindo apresentações de gênios do estilo, como Nat King Cole, em Cuba, onde vive até hoje. A mistura é tão eficiente que ele já levou para casa oito Grammy, incluindo o do seu último trabalho, Chucho's steps (2011), disco que marcou sua volta às gravações solo, após o New conceptions, de 2003. É esse álbum que ele apresenta hoje, na MIMO, com participação especial do virtuoso Egberto Gismonti, acrescendo à receita um tempero brasileiro. Destaque para a faixa Begin to be good, que faz referência às músicas Begin do beguine, de Cole Porter, e Lady be good, de George Gershwin:



CONCERTO | Chucho Valdés, com participação de Egberto Gismonti
DATA | 08/09
HORÁRIO | 20h30
LOCAL | Igreja da Sé

Para se ligar no "Chocolate"

Quando gravou o disco Chocolate ao lado do pianista Mario Laginha, para comemorar 25 anos de amizade e parceria musical, a cantora Maria João disse que escolheu esse nome para o álbum porque considera a música tão deliciosa quanto o doce. Basta ouvir a primeira nota de faixas como I've grown accustomed to his face (do musical My fair lady, de 1956) na voz de veludo da portuguesa, acompanhada pelo piano virtuoso, para concordar plenamente. O repertório é terno, com canções autorais, como This time (que fala sobre nuvens, flores e amores) e clássicos como When wish upon a star, Oscar de Melhor Canção Original quando cantada por Cliff Edwards interpretando o personagem Grilo Falante, no filme Pinóquio, produzido pela Disney em 1940. É para sair do concerto com um sorriso de orelha a orelha.



CONCERTO | Maria João e Mário Laginha
DATA | 08/09
HORÁRIO | 19h
LOCAL | Seminário de Olinda

O som do mundo

“O tambor é a batida do coração”. Esse é um dos depoimentos do s vários entrevistados a redor do mundo, que traduz o sentimento do som propagado pelo instrumento.

Presente em diversas culturas e religiões, o tambor funciona como motor na cotidiano de inúmeras manifestações. Indivíduos que dedicam sua vida tocando este instrumento milenar e que se deixam levar pela sua batida forte e contagiante são os coadjuvantes neste longa que tem no som e forma dos tambores de diversas parte do mundo o seu protagonista maior. 

Doc | 72min | 2011 | Brasília/DF | Livre



Festival MIMO de Cinema - Longa-metragem
DATA | 08/07
LOCAL: Mercado da Ribeira
HORA | 20:30 hs.

Olinda conhece o "Future Jazz"

Foto: Facebook

O Seminário de Olinda foi pequeno para o público que compareceu à apresentação do Projeto Ccoma, que mistura elementos do jazz e da música eletrônica, gênero que vem sendo chamado Future Jazz. O duo de Caxias do Sul (RS) formado por Roberto Scopel (trompete) e Swami Sagara (percussão) fez o show de estreia do seu álbum mais recente, Peregrino (2012).

Visivelmente nervoso e emocionado, Sagara, que conversou bastante com o público ao longo da apresentação, falou da importância de poder estrear o álbum dentro de um local como o Seminário. "É uma honra pra gente poder trazer um álbum como o Peregrino, que fala exatamente de viagem, da música em diferentes partes do mundo, para um local de tanta tradição musical", comentou.

Em seu repertório constaram canções como Milonga para los Perros, e Xangô é Rei, música feita em parceria com o recifense Di Melo. "Estivemos no Festival de Inverno de Garanhuns para levar um documentário que realizamos chamado 'Profissão: Músico' e tivemos o prazer de conhecer essa figura 'pernambucanolisticamente' incrível que é o Di Melo", revelou Sagara.

Apesar de mais contido com as palavras, Scopel não economizou talento para manejar o trompete, o theremin e o clarinete. Já Sagara ficou responsável pelas bases eletrônicas, pela bateria eletrônica e pela hang drum. Durante a execução de cada música, diferentes projeções eram exibidas nas paredes da igreja, o que enriqueceu bastante a apresentação do duo. Ao final do show, o público pediu bis, sendo prontamente atendidos com a canção Milonga para los Perros.

Mostra MIMO de Cinema - Curtas


A Mostra MIMO de Cinema chega ao seu penúltimo dia com muitas opções de curtas a serem conferidos logo mais às 18:00 hs na igreja seminário de Olinda.

Jazz by Giz, de Renato Cabral
Uma pincelada de Jazz em três minutos. A história de um dos quadros de um tatuador que toca com o giz de cera.
Doc | 3min | 2012 | Uberlândia/MG | Livre 
Tom Zé em A lavagem das calcinhas voadoras, de Huila Gomes e André Hime
Depois da chuva de calcinhas voadoras no Rio de Janeiro, Tom Zé volta para casa e faz a cerimônia de consagração!
Doc | 10min | 2011 | São Paulo/SP | 18 anos 

Kaosnavial, de Marcelo Pedroso e Antonio Oliveira

Fruto de experiência única vivida em um de seus shows apresentados na zona da mata de Pernambuco, quando o Maracatu Estrela de Ouro invadiu o palco na apresentação, Kaosnavial retrata o encontro do compositor Jorge Mautner com o grupo de maracatu original de Aliança.

Ainda maravilhado com aquela invasão no seu show, Jorge logo recebeu uma proposta juntamente com seu parceiro de longa data Nelson Jacobina (falecido recentemente) para montar uma turnê com o Estrela de Ouro intitulada Kaosnavial, fazendo referência à área de canavial onde habita o grupo  de maracatu. O projeto foi imediatamente aceito e transformado em uma trilogia, com álbum, turnê-espetáculo e agora o curta-metragem.

Com direção de Afonso e Pedroso, o curta leva Jorge Mautner à zona da mata e juntamente com o mestre Zé Duda, líder do “Estrela Dourada”, o músico se traveste com vestimentas características do maracatu e logo torna-se “Jorge Mata”, batizado assim pelo próprio Zé.

Doc | 22min | 2012 | Recife/PE | Livre 


Para matar a saudade, Orquestra Contemporânea de Olinda

foto: divulgação

Olinda está em ritmo de carnaval desde ontem, quando na cidade já rolou a primeira prévia na Pitombeira. E hoje a banda que é a cara da cidade, promete não deixar ninguém parado. Dois anos depois, a Orquestra Contemporânea de Olinda, volta à MIMO para show de seu segundo disco, Pra Ficar - disponível no site da banda em troca de apenas um tweet de divulgação - lançado mês passado. 

Recomendada pela crítica mundial por sua mistura de vários ritmos porém com uma identidade bem definida, a OCO contou nesse novo trabalho com a produção do músico americano Arto Lindsay, que tem trabalhos com renomados nomes da música nacional, entre elas Caetano Veloso e Marisa Monte, e vai dividir o palco com a banda esta noite.

As expectativas são as melhores possíveis e pra dar um gostinho do que espera todos às 22h na Praça do Carmo:

O eterno lóki faz concerto memorável

Ao entrar no palco do teatro Santa Isabel ontem, Arnaldo não precisou fazer muito esforço para agradar o público. As centenas de pessoas que conseguiram uma vaga no local sabiam muito bem quem estavam indo ver e demonstravam-se ávidos por qualquer canção dos Mutantes ou da própria carreira solo do compositor.

Sempre muito aplaudido entre uma música e outra, o ex-mutante fez um show intimista acompanhado de seu piado de cauda, variando bastante o repertório do que estava previsto, executando hits como “Heat the Road Jack”; as de sua autoria ”será que eu vou virar bolor”,“uma pessoa só” e algumas dos Mutantes  como “posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha o meu rock n’ roll” e “desculpe baby”. Todas executadas e cantadas com Arnaldo sempre improvisando e dando nova roupagem.

As mais de 500 pessoas presentes no teatro demonstraram durante toda apresentação muita excitação em estar ali, de poder ver o Arnaldo Baptista. Diversas vezes ouviam-se gritos de “Corta jaca” ou então “toca Arnaldo Baptista”. Atitude que não agradou em nada o restante do público presente que preferia continuar imerso na áurea daquele concerto memorável e com pinceladas de melancolia que rodeava o teatro. Mas o músico sempre muito carismático saciou o desejo de alguns ao finalmente executar “Corta jaca” e quase fazer o teatro vir abaixo.

Não há muito o que se falar de um show como esse. É um daqueles espetáculos que você vai sem muita exigência ou receio de não gostar, pois trata-se de um artista muito bem fincado no status de um dos maiores gênios da música brasileira, com um legado invejável, que já cumpriu e muito bem o seu papel dentro do cenário nacional e universal, influenciando artistas como Sean Lennon e Kurt Cobain. A maioria dos que estavam lá certamente queriam ver um ídolo, um cara que arrancou do maestro Rogério Duprat a seguinte afirmação: “Arnaldo Baptista foi o músico mais importante que o rock brasileiro já teve”.

Show épico, pra ficar pra posteridade.  

Foto: Beto Figueiroa

Um concerto de alma latina

Foto: Beto Figueiroa/O Santo

Ao contrário dos programas de concertos sinfônicos, onde compositores latino-americanos são pouco frequentes (e quase nunca ocupam exclusivamente o espaço inteiro de uma apresentação), nos concertos violonísticos eles são uma constante. E não foi diferente com o Duo Assad, que inclusive priorizou autores  brasileiros na sessão de ontem à noite na Igreja da Sé.

Piazzolla, Leo Brouwer, Radamés Gnattali, Ernesto Nazareth, Egberto Gismonti, Garoto, o próprio Sergio Assad e, claro, Villa-Lobos marcaram presença na relação. Além deles, João Pernambuco, que serviu para enfatizar a ligação dos irmãos Assad com nosso Estado. Segundo lembrou Sergio, ambos conhecem o Recife desde os anos 1970, quando gravaram um disco com a Orquestra Armorial.

Odair fez uma participação solo na Sonata del Caminante, do cubano Leo Brouwer, com temas inspirados na Amazônia e no Nordeste. Antes e depois da interpretação, ele não deixou de comentar: "Não sei como consegui memorizar tantas notas".

O encerramento coube a Tahhiyya li ossoulina, de Sergio Assad, uma peça de influência árabe escrita em homenagem ao pai do violonistas e que foi agraciada com o Grammy de Melhor Composição Contemporânea em 2008.

Colonial brasileiro no Mosteiro de São Bento

Foto: Tiago Calazans/O Santo
Arnaldo Baptista, sem dúvida, foi um dos nomes mais badalados da programação da MIMO 2012. Colocar, portanto, um concerto de música colonial brasileira quase simultaneamente à sua apresentação, seria um tiro no pé, com risco de casa vazia.

Não seria preciso chamar os Caçadores de Mitos para se constatar o contrário: a superlotação do Mosteiro de São Bento disse tudo. E não estamos levando em consideração o início das prévias carnavalescas de Olinda, cujo agito pelas ruas em nada comprometeu a frequência de diversos jovens à apresentação do grupo Calíope na noite dessa sexta.

O repertório, formado por obras programadas pelo grupo em diversas temporadas passadas, teve basicamente três momentos: 1. o colonial brasileiro, com peças de José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e um anônimo mineiro; 2. o renascentista, com madrigais do italiano Claudio Monteverdi; e 3. o popular luso-brasileiro, com modinhas brasileiras e vilancicos de natal portugueses.

O bis escolhido foi justo um dos vilancicos, Pois sois mãe da flor do campo, mas poderia ter sido qualquer outra peça, tamanha a qualidade de execução, de cantores e de instrumentistas.

Neste sábado tem mais música clássica na MIMO

Se ontem foi o dia da música sacra e de câmara em Olinda, hoje será o das orquestras no Recife. E as apresentações MIMO 2012 neste sábado começam às onze da manhã. Confira a programação:

- A segunda apresentação da MIMO in Concert, agora com os alunos das oficinas de instrumentos da Etapa Educativa da MIMO, acontece no Teatro de Santa Isabel, às 11h. O esquema do concerto será o mesmo de todos os anos, com os alunos de cada naipe tocando de duas a quatro peças que foram ensaiadas ao longo da semana. Os naipes são: cordas dedilhadas, cordas friccionadas, madeiras, metais e percussão.

- Às 17h, também no Santa Isabel, será a vez da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa no concero de encerramento do Curso de Regência da MIMO (mais detalhes, no post abaixo).

- Por fim, às 18h, Basílica do Carmo, a música de câmara voltar a se destacar com o Quarteto Borromeo (vide outro post abaixo).

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Atenção, quem estiver em Olinda: às 18h, haverá concerto da Banda Sinfônica do CEMO (Centro de Ensino Musical de Olinda), na Igreja de São João dos Militares, bairro do Amparo.

O bom humor de sempre para a plateia cativa


Com a presença de Edino Krieger, compositor residente da MIMO 2012, e Lu Araújo, Diretora Executiva da Mostra, o Duo Milewski trouxe seu habitual repertório para a Igreja da Misericórdia, na tarde dessa sexta. Começando com a Ungarisch do romântico norueguês Johan Halvorsen, Jerzy Milewski e Aleida Schweitzer apresentaram peças de Chopin, Gershwin e Debski, fora os choros de sempre: Tico tico no fubá e Brasileirinho.

Mas o programa do concerto teve também boas novidades: uma breve seleção do espanhol Manuel de Falla; Pretty Trix, de Joe Venuti, o pai do violino jazzístico; e, principalmente, três peças de Flausino Vale, maior compositor brasileiro para o instrumento. Do mineiro, foram tocadas Serenata onírica, Saudades da minha mãe e Ao pé da fogueira.

Jerzy aproveitou a oportunidade de ter Edino Krieger na plateia para brincar com ele: "Edino foi violinista mas compôs tão pouco para o instrumento", porém emendou: "Pior foi Chopin, que não compôs nada para violino". E depois de tocar uma transcrição de uma mazurca ainda retomou:

- Maestro, o que o senhor achou de Chopin.
- Não faria melhor - respondeu Krieger
- Tão vendo: ele ainda por cima é modesto. (risos)

Ao final, os agradecimentos ao público foram obrigatórios, segundo Jerzy, porque os ouvintes correram "um risco muito grande em sair de casa para assistir a um recital de violino solo, pois violino mal tocado é capaz de matar".

E para já despertar as saudades do Duo Milewski, deixamos aqui a melodia inesquecível de Country in E, de Krzesimir Debski, em um vídeo amador que encontramos do casal no YouTube.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

MIMO no Instagram

Para quem ainda não estava sabendo que a MIMO também está no Instagram, é só clicar aqui e nos seguir.

Eu estive na MIMO

Foto: Facebook
Fred Lyra, guitarrista e integrante do Duo Mojav, acompanha o Blog da MIMO desde a sua criação, em 2009. Nesta edição da Mostra, ele compareceu ao show de Cyro Baptista e ao workshop que o percussionista promoveu. A nosso convite, Fred preparou um resumo do que achou de ambas as ocasiões:

"No concerto de ontem (06/09) Cyro Baptista apresentou uma recriação muito livre de vários temas - presentes em composições de Villa-Lobos, compostos por ele ou extraídos do folclore brasileiro. Contando com uma banda de sete músicos, todos tocando ao menos dois instrumentos durante o concerto e com destaque para o violonista (que também tocou cavaquinho e samplers) Romero Lubambo, Cyro se utilizou de elementos do rock, jazz, da música balinesa, da música brasileira e de muita interação para que o som se concretizasse. Ao final ainda regeu os músicos criando uma improvisação coletiva contrapontistica muito interessante.

"No workshop de hoje, fugindo do usual, ele apresentou todos os músicos da banda: 3 brasileiros, 2 americanos, um israelense e um argentino e deixou que cada um falasse da sua história, seus trabalhos e tocasse um pouco os seus instrumentos. Foi muito interessante perceber como diferentes universos podem convergir e criar uma música muito orgânica tendo como célula fundamental os conceitos de Cyro Baptista, porém com liberdade total para cada um dos componentes colorir esses conceitos da sua forma pessoal. Foi um grande exemplo de generosidade e universalidade da música, creio que todos que estavam presentes saíram com boas ideias e oxigenados para suas próprias jornadas".

Clássicos e modernos na tarde deste sábado

Às 17h deste sábado, no Teatro de Santa Isabel, Centro do Recife, os alunos selecionados na sexta edição do Curso de Regência irão dirigir a Sinfônica de Barra Mansa no concerto de encerramento das aulas que tiveram com o maestro Isaac Karabtchevsky ao longo da semana.

O repertório terá quatro peças, cuja sequência coincide com a ordem cronológica em que foram escritas:

1. A abertura da ópera A flauta mágica, de Mozart (1791)
2. A Sinfonia n° 3 "Heroica", de Beethoven (1803)
3. A suíte do balé O pássaro de fogo, de Stravinski (1910 - estreia do balé completo)
4. Terra Brasilis, do compositor residente da MIMO 2012, Edino Krieger (1999)

Como as três primeiras peças são bastante conhecidas do público de música clássica, confira aqui o primeiro movimento de Terra Brasilis, que será ouvida pela primeira vez em Pernambuco:

Batidas eletrônicas no Seminário de Olinda

Divulgação

"Tambores retumbam em bits. O trompete sopra dimensões ímpares. Conexões musicais que solapam o mapa da mesmice travestida de hype." Hoje, a partir das 19h, o Seminário de Olinda vai receber o que provavelmente será uma das apresentações mais inusitadas de tudo que vem sendo apresentado até então na MIMO 2012. O Projeto CCOMA é um duo de Caxias do Sul (RS) formado por Roberto Scopel (trompete) e Swami Sagara (percussão), que transita pelo jazz e pela música eletrônica.

O estilo inovador da dupla já rendeu indicação ao Prêmio da Música Brasileira em 2010, na categoria "Melhor Álbum Eletrônico" pelo álbum Incoming Jazz, de 2010. A dupla traz para o Sítio Histórico de Olinda o show de estreia de seu mais recente álbum, Peregrino (2012), que, assim como o próprio nome, se apropria das linguagens rítmicas e melódicas de diversas partes do planeta. 

O disco é composto de 10 faixas, com várias participações especiais como a do nosso recifense Di Melo nos vocais da afrobeat "Xangô é Rei", Zeca Baleiro, Luciano Sallun e a do DJ e produtor Moises Matzenbacher, atualmente radicado em Londres. Para realizar suas aproximações musicais, gênero que vem sendo chamado future jazz, a dupla utiliza instrumentos como percussão, hang drum, trompete, "berimbaixo" (mix de berimbau e baixo), theremin e o "claricano", uma espécie de clarinete elaborado com canos de PVC, criação de Scopel.


CONCERTO | Projeto CCOMA
DATA | 07/09
HORÁRIO | 19h
LOCAL | Seminário de Olinda

Arnaldo Baptista fala com exclusividade para o Blog da MIMO

O Blog da MIMO conseguiu com exclusividade ontem a honra de poder entrevistar um dos maiores ídolos da música que revolucionou o rock n' roll nacional a partir do final dos anos 60: Arnaldo Dias Baptista, ex-líder da banda Os Mutantes e que apresenta seu concerto solo "Sarau o Benedito?" logo mais às 18:30 no Teatro Santa Isabel. O áudio da entrevista foi captado pelo microfone interno da câmera e por isso ficou difícil retirar os ruídos externos. Sejam compreensivos!

Arnaldo falou um pouco sobre seus projetos atuais do mesmo modo espontâneo e sincero com o qual costuma ser reconhecido.

Gostaria de agradecer em especial a sua assessora direta, Sônia Maia, bastante gentil e atenciosa, tornado-se peça fundamental para que a entrevista acontecesse, além também da Lucinha, esposa do Arnaldo.

Sem mais, assistam e confiram o depoimento de Arnaldo Baptista na tarde do dia 06/09 no hotel 7 colinas diretamente para o nosso blog.




Nos balés do sucesso

Com coragem e apoio de amigos como Fernando Catatau, Siba Veloso deixa de lado sua companheira por longos anos nos trabalhos com Mestre Ambrósio e a Fuloresta, e no seu disco solo lança mão da guitarra ao invés da rabeca. Com letras intensas e de uma literatura muito bonita e própria, é perceptível que o músico se dedicou à preparação desse recente trabalho com muita sinceridade. O resultado disso são shows lotados por onde tem passado desde o lançamento de Avante, e elogios da platéia e dos críticos.

Para documentar toda esta trajetória, Siba - Nos balés da tormenta, o documentário em longa-metragem exibido hoje às 19hs no Pátio da Igreja da Sé, mostra um pouco da história do cantor e do disco novo, desde a concepção até sua gravação finalizando com a primeira apresentação ao vivo do trabalho final.

Para conferir um pouco do que se trata, os diretores Caio Jobim e Pablo Francischelli prepararam uma versão curta do documentário:



"Siba - Nos Balés da Tormenta" from DobleChapa on Vimeo.

Lembrando que quem perder a exibição hoje, tem nova chance de assistir amanhã às 18hs no Mercado da Ribeira. 

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Outro longa-metragem também faz parte da Mostra MIMO de Cinema de hoje e será exibido no Mercado da Ribeira às 20h30: 

O liberdade, de Cíntia Langie e Rafael Andreazza


foto: divulgação
A história do bar e restaurante Liberdade, reduto do choro no Sul do Brasil, onde o compositor e cavaquinista Avendano Junior se apresentou por mais de 30 anos. O filme tem participações de Vitor Ramil e Yamandu Costa.


Doc | 71min | 2011 | Pelotas / RS | Livre 
Direção: Cíntia Langie e Rafael Andreazza / Produção: Alexandre Mattos / Roteiro: Cíntia Langie e Rafael Andreazza / Fotografia: Alberto Alda / Montagem: Cíntia Langie / Trilha sonora: Avendano Jr.
Doc | 71min | 2011 | Pelotas / RS | Livre 

Feriado é dia de Arnaldo Baptista!


Gênio inegável da música brasileira, Arnaldo foi a espinha dorsal dos Mutantes permanecendo no conjunto até “O a e o Z” (apesar do álbum ter saído apenas em 1992, as gravações reais datam de 1973). Logo na sequência, encara um período difícil na sua carreira e vida pessoal, mergulhando em um mundo profundo, obscuro e só dele - lugar onde quase ninguém era capaz de chegar -. Eis que em 74’ um “boom” na vida do músico ecoava, ao lançar uma das maiores obras-primas do legado musical, o Lóki, disco que consagrou o músico após a saída dos Mutantes, arrancando muitos elogios da crítica, principalmente pela maneira verdadeiramente nua e despida de qualquer vaidade que esse álbum foi feito. Tornando-se um retrato visceral de tudo aquilo que havia vivenciado até o momento.

Quatro décadas depois, o eterno mutante volta aos palcos em seu concerto intimista “Sarau, o Benedito?”.  A apresentação promete arrebatar os corações dos fãs recifenses que esperaram 5 anos desde a última estadia do músico na cidade, em 2007 no festival Abril pro Rock, ainda ao lado dos Mutantes.

Para essa turnê, Arnaldo realizou um desejo próprio de somar o trabalho musical ao de artista plástico que há muitos anos faz parte do seu cotidiano. Serão projetados em telões alguns dos quadros que o compositor pintou ao longo de sua vida, oportunidade para o público conhecer também uma outra vertente artística que pulsa dentro deste talentoso músico. No repertório estão alguns clássicos dos Mutantes como “Balada do louco”; várias do lóki, a exemplo de “cê tá pensando que eu sou lóki” e “Não estou nem aí”; alguns covers como Beatles, The Mamas and the Papas, Elton John e também inéditas que estão para ser lançadas em disco novo como “I don’t care”. Tudo isso acompanhado apenas de um piano de cauda, instrumento que se dedica além do contrabaixo (Gibson, é claro!)

Hoje o dia é dele, o feriado no Recife chegou para receber seu mais ilustre visitante: Arnaldo Dias Baptista, nosso eterno mutante. 

CONCERTO | Arnaldo Dias Baptista em Sarau o Benedito?
DATA | 07/09
HORÁRIO | 18:30 hs
LOCAL | Teatro Santa Isabel

Mostra MIMO de Cinema - Curtas do dia

A Mostra MIMO de Cinema segue hoje no seu terceiro dia. Quem chegar no Seminário de Olinda, irá assistir a partir das 18hs os seguintes curtas metragem:

Celeste, de Rodrigo Grota 

"Uma confissão e uma canção."
Fic | 3min | 2012 | Londrina/PR | Livre
Direção: Rodrigo Grota / Produção: Kinoarte - Filmes do Leste / Roteiro: Rodrigo Grota / Fotografia: Guilherme Gerais / Trilha sonora: Gisele Almeida
Fic | 3min | 2012 | Londrina/PR | Livre
Zero, de Sacha Bali
"Um taxista se olha no espelho e não se reconhece, pois abandonou sua essência em algum lugar do passado. Sem falas, com trilha original à base de rabeca e piano, “Zero” é uma dança no tempo."
Fic | 14min | 2012 | Rio de Janeiro/RJ | 12 anos
Di Melo - O Imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro
"A trajetória de Di Melo, cultuado músico da soul music brasileira. Tendo gravado um único disco em 1975 e sumido, Di Melo reaparece depois de mais de 30 anos para se declarar “Imorrível”."
Doc | 24min | 2011 | Recife/PE | 16 anos
Com vista para o céu, de Allan Ribeiro
"Homem e mulher tentam contato em uma grande metrópole, diante de tamanha incomunicabilidade, onde o som urbano invade os espaços."
Fic | 10min | 2011 | Rio de Janeiro/RJ | Livre
Direção: Allan Ribeiro / Produção: Ana Alice de Morais / Roteiro: Allan Ribeiro e Douglas Soares / Fotografia: Daniel Bustamante / Montagem:Allan Ribeiro / Trilha sonora: Adoniran Barbosa 
Fic | 10min | 2011 | Rio de Janeiro/RJ | Livre

Bom, este último me chamou atenção em particular pela foto apresentada como divulgação:

Fiquei encasquetada que na foto era a Adriana Calcanhoto, e pra mim ela era só cantora e não atriz. Procurei então um contato com o diretor Allan Ribeiro, que foi super gentil em ceder algumas informações para o Blog da MIMO

Inspirado em um fato real, ele contou que o amigo e professor de Cinema da UFF, Maurício de Bragança, cantou uma certa vez uma música do Adoniran Barbosa - que também é a trilha do filme - com uma vizinha que jamais chegou a conhecer. Junto a isso, usou de inspiração os sons que invadiam seu próprio apartamento, usado como locação, para criar a história. Quando perguntei como foi essa experiência de dirigir a cantora, ele disse que "a Adriana Calcanhotto é apaixonada por cinema e curtiu muito esta primeira experiência como atriz. Ela está muito diferente no filme e algumas pessoas só se dão conta que é ela nos créditos finais." E essa parceria deles deu tão certo que rendeu dois videoclipes para o DVD Partimpim, trabalho da cantora voltado para crianças e que já vai em seu segundo volume. Os vídeos você pode conferir aqui e aqui.


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Lembrando que para a Mostra de Cinema não é necessário pegar senha e os curtas de hoje serão reexibidos amanhã no Mercado da Ribeira no mesmo horário, 18hs.


Eu estive na MIMO

foto: cedida pela entrevistada

No nosso espaço reservado para depoimentos de frequentadores da MIMO, hoje trago o depoimento de Viviane Pinto, que infelizmente não conseguiu vir para a edição desde ano mas, como sempre morou em Olinda, fala da importância do festival.

Qual a importância da MIMO na sua opinião para Olinda?
Acredito que a MIMO é um evento que representa perfeitamente a alma de Olinda. A cidade alta é bela no cartão postal mas também é habitada por pessoas, é uma cidade vibrante e com uma vocação cultural muito grande. 
E, tendo familiares que vivem na cidade alta, posso dizer com segurança que a MIMO é um evento com aprovação unânime entre os moradores de lá! Agrada a todos. Fora que é uma ótima oportunidade para pessoas de outras cidades e estados conhecerem as belezas de Olinda. Por incrível que pareça, tem gente que mora em Recife e nunca vai a Olinda, a não ser durante a MIMO.

Qual o show que mais te marcou na história da MIMO e esse ano o que você acha que será mais marcante?
Um dos melhores shows que já assisti na minha vida foi o de Tom Zé, em 2010, na praça do Carmo. Eu já era apaixonada pela música e genialidade de Tom Zé, e já tinha visto vários shows dele na televisão e na internet mas ao vivo foi absolutamente emocionante! Ele é um showman! Carismático e divertido, conseguiu fazer todo mundo dançar e cantar. Jovens e velhos, universitários e vendedores de espetinho, quando eu olhava pros lados via todo mundo curtindo aquele momento. Sabe aqueles shows que no final tem muito mais gente na platéia do que no começo? Foi isso! Quem tava lá longe via como tava divertido e vinha correndo pra pertinho do palco.
Infelizmente, este ano não poderei ir pra MIMO porque estou morando em outro estado, mas se estivesse em Pernambuco certamente já estaria na fila pro show de Arnaldo Baptista! Acho que vai ser mágico vê-lo tocando piano no palco do Teatro de Santa Isabel (que já é um lugar mágico por si só).

Quarteto hi-tech, hoje e amanhã na MIMO

Se você nunca tinha visto um conjunto musical substituir partituras impressas por digitalizadas, não perca os concertos do Quarteto Borromeo hoje e amanhã na MIMO.

O uso de laptops e projeções em tela deve-se à opção dos músicos do grupo por acompanhar a partitura integral (a grade) da obra em lugar da parte isolada para cada instrumento, permitindo-se uma visão de conjunto maior durante a execução.

Os recitais com o conjunto norte-americano acontecerão nesta sexta em João Pessoa - na Basilica de N. S. das Neves, às 20h - e no sábado, no Recife - na Basílica do Carmo às 18h30.

Confira uma entrevista do Quarteto Borromeo ao Estado de São Paulo, onde eles falam sobre a proposta de integração tecnológica que desenvolveram.

Sexta é dia de música clássica

Com o concerto dos professores da Etapa Educativa da MIMO 2012, ontem, foi aberta a programação de música clássica da mostra, que continua em dose tripla nesta sexta, no Sítio Histórico de Olinda, e pode ser acompanhada pelo público em sequência, sem a menor pressa entre uma apresentação e outra:

- Desta vez na Igreja da Misericórdia (não na do Convento de São Francisco, como nos anos anteriores), em Olinda, o Duo Milewski traz seu repertório de peças para violino e piano que mesclam música popular brasileira, folk norte-americano e europeu e compositores de música clássica polonesa. O início é às 16h.

- Já no Mosteiro de São Bento, às 18h, o repertório será de música antiga, com o grupo vocal-instrumental Calíope, que apresenta uma ampla e versátil formação. Confira um pouco da atuação do Calíope no vídeo a seguir.



- Por fim, a atração principal da noite ficará por conta do mais importante duo violonístico da atualidade, o Duo Assad, que atua desde os anos 1970 e gravou, naquela época, um disco junto com a Orquestra Armorial. A apresentação na Igreja da Sé, às 20h30, promete trazer composições da própria dupla e de compositores contemporâneos, além de transcrições duo de violões.

Quem não PUDER sair de casa (pois QUERER nós sabemos que vocês querem), é só acompanhar os concertos por este link.

Orquestra Experimental e James Strauss: um bom começo

foto: Beto Figueiroa

No primeiro concerto deste ano na tímida porém belíssima Igreja da Misericórdia, a platéia já ocupava quase todos os lugares quando a Orquestra Experimental de Câmara começou sua apresentação às 16hs. Regidos pelo maestro Israel de França, os doze músicos com as suas cordas faziam o fundo para o solista James Strauss mostrar toda sua habilidade na flauta transversa que, demonstrando muita tranquilidade, ao final de cada música arrancava aplausos da platéia.  Após a participação de Strauss, que contou com um bis duplo, a apresentação seguiu e até mesmo o maestro executou duas músicas ao violino, solando ao lado de uma das moças do grupo. Voltando à posição original, Israel de França anunciou a execução dos 4 movimentos da sinfonia nº40 de Mozart para encerrar a apresentação de um pouco mais de uma hora de duração. 

Um show de muitas possibilidades


Foto: Tiago Calazans
No repertório funk, soul, samba, jazz e bossa. Desde o início até o fim, a banda carioca cheia de groove, mostrou saber bem passear pelos mais variados estilos, sem soar clichê ou obsoleto. Quando você estava convencido que a batida era um funk, eles vinham e mudavam a direção da canção para outra levada também cheia de swing,

Executando temas que vão desde trilha sonora de filmes, exemplo de “pantera”, - música inspirada nos filmes policiais - à novelas e séries TV, a pegada era sempre forte com os metais e percussão como carros-chefes da apresentação.

Com a participação do consagrado compositor e arranjador da bossa nova, Marcos Valle, a performance só fez crescer, somando o talento de duas gerações distintas, porém uma não menos talentosa que a outra. Marcos introduz logo de cara duas de algumas de suas composições bem-sucedidas que foram temas de novelas: “Azymuth” (nome que veio a ser adotada pela banda carioca) e “Selva de pedra”, já famosa do grande público.

Apesar disso, o público presente parecia em parte alheio à apresentação que via e pouco vibrava com o ritmo cheio de afrobeats com forte influência percussiva. Da metade pro final do show os músicos ousaram convidar a igreja a cantar junto o tema "Hey Salomão", porém sem sucesso. O clima morno permaneceu inerte até o final, quando ao voltarem para o BIS, a maioria desinteressada já tinha dispersado, ficando apenas parte dos que já tinham deixado a timidez de lado e se rendido à pegada latina.

Villa, sob múltiplos estilos

A banda do percussionista Cyro Baptista tinha uma instrumentação convencional até certo ponto: bateria, guitarra, contrabaixo e violão. Mas o bandoneom e, claro, a ampla percussão proporcionavam o incremento das possibilidades sonoras do grupo, que foram bem exploradas no concerto da Igreja da Sé na noite passada.

Mesclando peças do espetáculo Vira Loucos, do folclore brasileiro e do próprio Cyro Baptista, o repertório alternava leituras mais experimentais - em que eram explorados timbres ainda exóticos à maioria do público, como o da harpa de boca e o de um metalofone balinês, tocado a oito mãos - com arranjos que soavam mais familiares, nem por isso menos engenhosos.

Um exemplo foi o da Cantiga da Bachianas n° 4, que começou mais fiel à versão orquestral da peça, reproduzindo entre bandoneon e contrabaixo o belo contraponto do original, para depois se transformar em um forró, ao estilo de Geraldo Azevedo e Elba Ramalho, e finalizar com uma levada mais hard rock, tendo sido uma das músicas mais aplaudidas.

Falando com um perceptível resquício de sotaque norte-americano, Cyro afirmou que, apesar de ter sido seu primeiro show no Estado, a música pernambucana era muito importante em seu trabalho e deu mostra disso ao longo das peças seguintes, onde - de forma mais explícita ou não - estavam lá as células rítmicas do baião, mas também as do samba, da bossa nova e do jazz.