quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Encerramento de nossas transmissões ou "O que virá em 2011?"

Quem será o compositor residente da MIMO 2011?
Quantos concertos conseguirei ver no ano que vem?
As tapioqueiras estarão de volta ao Alto da Sé?
Será que receberei convites para a Festa da Mimo?

Por mais um ano, a Mostra Internacional de Música em Olinda dinamizou o Sítio Histórico da antiga capital pernambucana trazendo animação, cultura e bem-estar para os habitantes e visitantes da cidade.

E, chegando ao primeiro dia após o encerramento de sua última edição, a MIMO já começa a despertar expectativas e saudades por tudo que ela proporciona. Mas ao mesmo tempo em que dizemos isso, achamos melhor não fazer balanços ou promessas.

Simplesmente, convidamos vocês a montarem a própria retrospectiva da MIMO 2010 visitando os posts antigos deste blog e as outras redes sociais nas quais a Mostra investiu: o Orkut, o Twitter e o Flickr.

O Blog da Mimo, em seu segundo ano de funcionamento, continuou sobretudo a apresentar o que faz da Mostra Internacional de Música em Olinda uma vivência e uma fonte de lembranças a todos que dela participam.

Por essa razão, agradecemos pela estima e esperamos que em 2011 possamos estar juntos novamente, apreciando música, filmes, gastronomia, história... Enfim, tudo que só a MIMO oferece a vocês.

Cordialmente,

Equipe do Blog da Mimo

Ps.: A equipe de produção e de imprensa, além de Lu Araújo, também mandam um obrigado bem grande a todos vocês.

A música certa, na igreja certa

Poucas vezes na história da MIMO um casamento entre música e arquitetura foi tão bem pensado do ponto de vista estilístico quanto o da execução de A arte da fuga na Igreja da Misericórdia, situada a menos de 500 metros da Igreja da Sé.

Comentar uma performance dessa obra de Bach, nesse caso, talvez seja menos oportuno do que apontar a decisão feliz de fazer com que Marcelo Fagerlande e Ana Cecília Tavares se apresentassem em uma igreja rica em amostras do barroco tardio e do rococó [estilos coexistentes na época em que A arte da fuga foi escrita] em seu interior.

Aqui vai uma pequena amostra da peça, em vídeo retirado do YouTube. Escute-a observando os detalhes das fotos das igrejas de Olinda disponíveis no Flickr da MIMO (vide menu à direita).

Spalla de muito futuro

Foto: Rafael Andrade

Quem viu a Orquestra Mimo tocar a suíte Cenas brasileiras de Wagner Tiso no concerto de segunda à noite, na Igreja da Sé, percebeu que o solo de violino inicial da peça não foi feito pela spalla Ana de Oliveira, mas pela jovem Karolayne Santos.

Karol vem participando da Etapa Educativa da MIMO desde 2007 e hoje, sem ainda ter completado 15 anos, desponta como um dos grandes talentos jovens de Pernambuco, ao lado do Irmão Ricardo Cavalcante, violista.

Por esta razão, não somente o solo de Cenas brasileiras foi confiado a ela como também a posição de spalla das cordas friccionadas no concerto de encerramento das Oficinas de Instrumento da MIMO 2010, nesta terça à tarde na Igreja do Monte.

Karol mostrou nas duas ocasiões, além de total segurança (vale lembrar que a Sé estava lotada na segunda), domínio técnico e afinação perfeita, correspondendo à expectativa dos professores com um raro zelo entre jovens de sua faixa etária.

Por isso, não será surpresa se Karolayne tornar-se spalla nas orquestras jovens por onde passar.

***

Cinco pontos de destaque do concerto na Igreja do Monte: 

1. as duas belíssimas transcrições de Vivaldi para conjunto de cordas dedilhadas, que soaram bastante despojadas, mas respeitando fielmente as partituras; 

2. uma execução de Dvorák sem erros pelas madeiras; 

3. a dificílima peça As baquetas, de Edgard Nunes Rocca, que exigiu coordenação contínua dos percussionistas;

4. a iniciativa das cordas fricionadas em apresentar obras do americano John Cacavas e do alemão Harald Genzmer, pouco ouvidas no Brasil, e

5. o empolgante finale com um arranjo reduzido da abertura de Os mestres cantores de Nurembergue para metais.

Argumento literário é mote de apresentação da OSR na Madre de Deus


Concerto da Sinfônica do Recife em 07/09/2010
(Foto: Davi Lira / Blog da MIMO)


Música Popular Literária

A Orquestra Sinfônica do Recife era a aniversariante octogenária; o regente Guilherme Bernstein, diretor musical da Sinfônica de Barra Mansa (RJ) era o maestro convidado; e o pianista carioca Jean-Louis Steuerman, o participante ilustre. Para o palco, a bela e restaurada Igreja da Madre de Deus, localizada no bairro antigo do Recife; e como plateia, o grande público presente no santuário dourado, confortavelmente silencioso.

Foi buscando promover a aproximação entre expressões eruditas e populares que os 50 membros da OSR (apenas oito componentes eram mulheres; a maioria no violino) prezou por uma apresentação didática, Seu objetivo continuou sendo mesmo o de formar novos amantes da música erudita no Estado. Como método utilizado, a literatura.

Apropriando-se do reconhecido camerista e solista de primeira categoria, Steuerman, o concerto da Madre de Deus buscou em obras românticas pós-Beethoven, a devida dose de contemplação propícia para um dia de encerramentos. No repertório do último dia da MIMO 2010, no Recife, não faltou Schumann nem Mendelssohn. Tanto Byron quanto Shakespeare, fontes inspiradoras para os respectivos músicos, serviram como ponte para imprimir aproximação literária que lhe são peculiares à erudição das peças.

Trechos da apresentação da OSR regida por Bernestein
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Maíra e Moema

Fotos: Rafael Andrade

Quem curte cordas dedilhadas no Recife já deve ter visto as bandolinistas gêmeas Maíra e Moema Macedo em ação, seja na orquestra Retratos do Nordeste, seja participando como convidada de outros grupos instrumentais em Olinda e Recife. Ontem, ambas estavam lado a lado no concerto de encerramento das Oficinas da Etapa Educativa da MIMO 2010, na Igreja do Monte. Uma delas, a de vestido azul, inclusive foi solista na transcrição do concerto para violino em lá menor de Vivaldi. Adivinhe qual.

VÍDEO: "Marcha Nupcial" de Felix Mendelssohn aproxima OSR da plateia da Madre de Deus


Orquestra Sinfônica do Recife regida por Guilherme Bernestein executa Sonho de uma Noite de Verão
(Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Fotos do concerto de encerramento das Oficinas de Instrumentos da MIMO 2010



Fotos: Rafael Andrade

Imagens do último dia da MIMO 2010 em João Pessoa, no Recife e em Olinda


Foto: Tiago Calazans/Usefoto


Epílogo

Em 1970, Miles Davis lançou um disco que mudou a história do jazz: o Bitches Brew. Com esse registro, Miles conseguiu agregar e estabilizar a linguagem jazzística ao rock, criando dessa miscelânea algo revolucionário. Nascia o jazz fusion. A partir de então, a eletronização do instrumental se tornou a grande novidade e os músicos passaram a experimentar timbres e sonoridades antes impossíveis. Nesse contexto, a guitarra também percorreu novos caminhos com o uso de pedais e amplificadores. Algo claramente trazido do rock.

Inteiramente vinculado a essa escola, Mike Stern (que tocou com Miles, vale ressaltar) subiu no palco montado na Praça do Carmo para encerrar a 7ª edição da MIMO 2010. Acompanhado pelo impressionante baixista Tom Kennedy e pelo preciso baterista Obed Calvaire, Stern mostrou toda sua capacidade improvisativa num concerto que privilegiou a exuberância técnica dos músicos.

A comunicação telepática demonstrada pelos instrumentistas, dava ao trio uma coesão fascinante e Mike a aproveitou para expor todo seu lado guitar hero. Com temas repletos de convenções, dinâmicas e frases sinuosas tão características do fusion, os músicos fizeram o público vibrar. No bis, houve até participação de Léo Gandelman, mostrando que todos são bem-vindos quando o assunto é improvisação.

De fato, um show grandioso que certamente ainda está ecoando na memória de quem esteve presente para vê-lo e ouvi-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Durante os intervalos da MIMO, ateliês da Cidade Alta abrem as portas aos visitantes


Nos ateliês, divulgação da Arte fica em primeiro plano
(Imagens do Espaço Cultural Phenix - Vídeo produzido pelo Blog da MIMO)

Alma artística de Olinda

Não existe quem não se encante com o sítio histórico. E possivelmente a Cidade Alta não seria o que é sem seus inúmeros ateliês, seja no Amparo, no Carmo, em Guadalupe ou no Varadouro. Tudo é arte, daquelas do tipo acessível, que não precisa de licença para sentir.

O Espaço Cultural Phenix de Olinda, comandado pela designer e artista plástica Simone Simonek é um desse ambientes de promoção e divulgação de arte espalhadas pelas ladeiras olindenses. Tanto nele quanto em tantos outros espaços, o que é mais interessante é perceber que o lado comercial desses locais fica, definitivamente, em segundo plano. O convite ao diálogo, à troca de idéias e comentários sobre o que quer que seja, sempre é bem vindo. Faz bem para o artesanato, é bom para Arte, e encantam os mais desavisados.

Feirinha de artesanato da Ribeira atrai participantes da MIMO


Confira preços das peças; máscaras vão de R$ 8 a R$ 60
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Ribeira, a ´Casa da Cultura´ de Olinda

Há 15 anos a artesã de nome meio italiano meio olindense, Odinivalda Chiarelli, oferece arte para turistas locais e extrangeiros. Dona da banca de codinome "Julião das Máscaras" (antigo proprietário e reconhecido artesão), ela tem as atividades bem delimitadas. "Eu mesmo fico com a talha e a pintura, meu marido, Zezinho, é que produz de fato as máscaras, que são nosso carro-chefe", informa sorridente a mais simpática de todas as artesãs do Mercado da Ribeira, localizado na Cidade Alta de Olinda.

Orquestra Contemporânea de Olinda em show apoteótico no Carmo

Foto: Renato Spencer/Usefoto (Canon EOS REBEL T2i)

Novo baile das Olindas

Foram muitos solos, vários instrumentos, movimentos que não paravam, e um convidado ilustre, o multi-instrumentista Carlos Malta. A vasta tradição das orquestras do Brasil passa agora a tomar corpo nesse novo formato de arranjos coletivos de metais e percussão.

A apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO), nesta segunda (6), na Praça do Carmo, na Cidade Alta, representou um verdadeiro show-baile que envolveu de fato muita gente. Foi do jeito que Gilú (idealizador da banda) gosta. Dez músicos em conjunto com uma platéia de milhares de outros componentes.

A galera do sopro do Grêmio Henrique Dias foi responsável por uma verdadeira reinvenção da mescla. Foi na mistura do jazz, ska, samba, da música jamaicana e do afrobeat, que os ritmos mais regionalizados se universalizaram e contagiaram uma multidão atenta ao novo. Nenhum outro grupo representa hoje algo tão contemporaneamente legítimo quanto a OCO. Nada melhor que o palco da MIMO para essa reverência à Música promovida pelos filhos dessas Olindas multifacetadas.


Turistas vivem uma "quase lua de mel" em Olinda e aproveitam a MIMO para esquentar o clima


Casal de Volta Renda em busca de definição no relacionamento
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

"Essa é minha quase noiva e quase esposa", diz turista fluminense

As promessas sempre foram muitas, e parecia que com a viagem programada para Olinda a coisa iria mudar. Mas pelo visto a situação conjugal do casal de Volta Redonda, localizada a 130 km do Rio, tem tudo para continuar na indefinição. "Ele me prometeu uma lua de mel. Só que até agora só tô vendo mesmo a lua, o mel que é bom... nada!", fala graciosamente Sidnéia Alves, 30.

"Quase noiva e quase casada há mais de 5 anos" com o técnico naval Rafael Augustra, 25 (que está prestes a trabalhar para um das empresas que compõe a cadeia de fornecedores do Estaleiro Atlântico Sul, em Suape), eles já decidiram esticar sua estadia na Cidade Alta, em função da programação da MIMO. "Nós não esperávamos encontrar a mostra, mas que bom que está acontecendo, vamos aproveitar e ficaremos até o próximo domingo", afirma Sidnéia, já em busca de vivenciar uma verdadeira e merecida lua de mel, adiada há um bom tempo, mas desejada desde sempre.

Visitantes da MIMO sentem falta das tapioqueiras da Sé


Tapioqueira prepara o quitute (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Olinda sem tampioca, um sacrilégio

Uma Sé branca e esvaziada. Mesmo com a reforma dada quase por concluída, não foi possível instalar os novos espaços reservados às mestres da culinária regional da Cidade Alta. As tapioqueiras, deslocadas do seu reduto habitual, tiveram que preparar seus quitutes em plena Praça do Carmo, improvisada. Se para uns a comodidade veio em boa hora, para tantos outros a imagem panorâmica do Recife, observada no topo da Sé já não tem o mesmo brilho. Falta o acompanhamento. Talvez da tapioca doce, talvez do acarajé com tempero pernambucano.

Mas nem só de Sé vivem as belas paisagens do casaril olindense. A tapioqueira Severina Batista, mestre da mandioca há 3 anos, foi a única a se instalar em plena sacada do Mercado da Ribeira. Aproveitando os visitantes do Festival Mimo de Cinema, a simpática Severina não parou um minuto só. "O povo de fora ama a de coco, é a que mais sai; e a novidade desse ano é a de presunto, que o pessoal tá conhecendo agora", afirma. Também não podia ser diferente. Em plena MIMO, do topo da Ribeira, um preço mais que acessível (R$ 2) para uma tapioca daquelas do tipo Sé, recheada de vista panorâmica. O deleite realmente é assegurado!

O que você achou?

Mariléa Gomes, do Conservatório Pernambucano de Música, falou para o Blog da Mimo sobre sua participação no Curso de regência como ouvinte:

Foi muito bom participar do Curso de Regência da Mimo pela quarta vez como ouvinte.

O maestro Isaac Karabtchevsky consegui transmitir muito bem as técnicas de regência com uma tranqüilidade e clareza que até para os ouvintes fica muito fácil entender. A cada explicação ou correção dos maestros que executavam as peças ganhávamos em conhecimento e experiência musical.

Foram seis dias de muito trabalho tanto para a orquestra como para os regentes participantes que a cada dia de estudo melhoravam cada vez mais as suas qualidades técnicas. A cada explicação de Isaac todos ficavam em silêncio e concentração para conseguir absolver o máximo dos seus conhecimentos.

O repertório escolhido foi bom, mas eu sentir falta de uma abertura e também de uma música brasileira. Porém, este fato não tirou o mérito do curso e com certeza no próximo ano estarei no curso aprendendo mais com esse grande maestro e músico Isaac Karabtchevsky.

Mistério bachiano

Envolta em uma nuvem de mistério, A Arte da Fuga, de Johann Sebastian Bach, desperta curiosidade dos estudiosos e amantes da música erudita desde a sua criação. Com uma sequência inacabada de 14 fugas e 4 cânones, muitas questões são levantadas a respeito da composição. Para qual instrumento teria sido composta a obra? Alguns acreditam que seria para teclado (órgão e cravo eram os preferidos de Bach). Seria a soma das letras que formam o nome do compositor, segunda a notação alemã, uma referência exata à quantidade de fugas da peça (B+A+C+H = 2+1+3+8 = 14), ou mera coincidência? Estes questionamentos não têm resposta definitiva, mas uma coisa é certa: A Arte da Fuga é, sem dúvida, uma das maiores e mais complexas composições da música clássica ocidental e aponta para uma culminância do estilo polifônico na obra do compositor alemão.

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Ana Cecília Tavares e Marcelo Fagerlande se apresentam hoje, às 18:00, na Igreja da Misericórdia, em Olinda.

Bernardo Vieira de Melo declarou independência republicana muito antes de Deodoro, lá em 1710

Ruínas do que sobrou da Câmara de Vereadores de Olinda, simbolizada pela estrela (em frente ao Mercado da Ribeira)
"Aqui em 10 de novembro de 1710 Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em favor da fundação da república entre nós"
(Foto: Davi Lira / Blog da Mimo)

Olinda, República da Música

No século 17, Olinda era outra. A cidade era o centro de Pernambuco, e com a voz altiva e imponente que sempre lhe foi peculiar, resolve se debelar contra a Coroa Portuguesa. Na figura do sargento-mor e vereador, Bernardo Vieira de Melo, (conhecido nome de inúmeras ruas e avenidas do Estado) inicia-se o primeiro movimento pela independência do Brasil.

Isso. A historicamente conhecida proclamação da Independência (1822) em 7 de setembro e a da República (1889) em 11 de novembro é bem posterior ao grito lançado pelos senhores de engenho de então em 10 de novembro de 1710, data considerada até hoje feriado local em Olinda.

Mesmo não sendo aprovada pela Câmera de Vereadores (hoje em ruínas, diante do Mercado de Ribeira, foto acima), o fato é que da lembrança dos pernambucanos esse levante jamais pode ser esquecido. Até porque vai ser difícil mesmo. Toda a movimentação conseguiu ser resumida através da letra do Hino do Estado.

Se não se lembra, o Blog da Mimo reproduz o trecho aqui:

A República é filha de Olinda / Áurea estrela que fulge e não finda / De esplendor com os seus raios de luz. / Liberdade um teu filho proclama!

» E ninguém melhor que Alceu Valença para cantar o Hino da Independência Pernambucana:

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Homenagem Póstuma


O concerto apresentado pelo conjunto de trombones ontem na Igreja do Monte poderia ter soado como algo melancólico, já que o seu fundador Radegunds Feitosa faleceu há cerca de 3 meses no interior da Paraíba. Mas ao invés disso, pudemos apreciar um conjunto de 14 trombones tocando com vigor e entusiasmo músicas que foram da renascença ao romântico, passando depois para o contemporâneo, fundindo o erudito com o popular. Destaque para a execução de Se Eu Quiser Falar Com Deus de Gilberto Gil que emocionou o público com seu lirismo. Ao fnal do show ainda deu tempo do Bis com Odeon e Que nem Jiló.

VÍDEO: "Teatro dos Vampiros" (completa) por Dado Villa-Lobos no Seminário de Olinda


Dado: ame-o ou o considere, ao menos (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

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Apoteose Improvisativa

21h30 – Mike Stern Trio | Praça do Carmo (Olinda)

Detentor de uma sólida formação musical, Mike Stern é considerado um dos mais importantes guitarristas do jazz contemporâneo. Foi pupilo de Pat Metheny na famosa “Berklee College of Music”, colaborou com o lendário Miles Davis em seu retorno aos palcos e participou da conceituada banda “Word of Mouth” comandada pelo baixista Jaco Pastorius. Sua música leva o ouvinte a várias paisagens sonoras, num leque de estilos amalgamados pela improvisação individual dos músicos. Seu fraseado é ouvido e milimetricamente estudado por instrumentistas ao redor do mundo. O resultado é um caleidoscópio musical extremamente bem construído. No show de encerramento da MIMO 2010, o guitarrista vem acompanhado por Tom Kennedy (baixo) e Obed Calvaire (bateria). Imperdível!

Rapsódia brasileira

Escrever sobre música é uma tarefa difícil. Ela fala por si mesma e as palavras não conseguem abarcar a grandeza de sua presença. O texto busca, ao menos, fornecer um relato aproximado de seu acontecimento, um vislumbre de seu brilho. Nesse sentido, o escritor é um ingênuo que se vê obrigado a se dedicar inteiramente ao ofício do delinear. E o faz sem temer...

Como era de se esperar, o concerto do compositor residente da MIMO 2010 foi de parar o tempo. Na abertura, Tiso mais o quarteto de cellos Brasil Ensemble executaram uma das mais sublimes composições de Tom Jobim, Luíza, conferindo-lhe um ar camerístico. Em Embolada e Prelúdio, os músicos exploraram as nuances contrapontísticas do Villa-Lobos numa interpretação que transbordava sentimento. Brasileirinho ganhou um tratamento interessante, numa inusitada mistura de ragtime e choro.

Para o momento mais improvisativo da noite, o pianista convidou o guitarrista Victor Biglione e o violoncelista Márcio Malard. Aquarela do Brasil de Ary Barroso foi revisitada numa interpretação que primou pela riqueza de dinâmicas e pelo fraseado alucinado de Biglione que esbanjava domínio técnico do instrumento. Já no standard Autumn Leaves, Tiso e Victor se refestelaram em seu famoso ciclo de quintas numa interação telepática.

Por fim, o pianista mostrou ao público pernambucano sua vertente composicional sinfônica. Junto com a excelente Orquestra MIMO regida por Guilherme Bernstein, Tiso executou sua suíte em cinco movimentos Cenas Brasileiras. Indo das mais abstratas harmonizações e fragmentados compassos ao frevo mais rasgado, a música do pianista exalou uma brasilidade inebriante, sem espaço para esteriótipos.

Uma noite memorável onde a música divagou sobre si mesma absoluta e altiva.

O Pasto Incendiado

Foto: Tiago Calazans

O compositor Danial Guanais, que teve sua Primeira Sinfonia executada pela Sinfônica da UFRN no último sábado, durante a MIMO 2010, gentilmente enviou todos os textos utilizados na obra: os do livro apócrifo de Adão e Eva e os poemas selecionados de Ariano Suassuna. Escolhemos um dos poemas do escritor paraibano especialmente pra você.

***

O castigo do Corpo e seu mistério,
o queixume do sangue e seu Fascínio.
Que sentido há na Carne rebelada,
que Nobreza de sangue e Confusão?


Os Arcanjos alados, que esvoaçam
seu silêncio de Brasa e sua espada,
choram talvez, na Sede apaziguada,
a ausência de meu Corpo enfurecido:
pois a Carne contém culpas Sagradas,
ecos de amor, de Sono e algum olvido,
e guarda, sob a Relva e o monte fulvo,
o desejo do Tempo e o Odor da morte.


mas não procures nela o que não tem.
Ali só há Colina e sangue espesso,
palpitação do Pássaro, agonia
o desejo do Tempo, o Sol sem preço,
a Relva que no Dardo se incendeia, [e a relva que no Fruto se incendeia]
o sonho que é do Fim e do Começo.


As águas não habitam nenhum ventre:
sangue possuído, ou sangue derramado
e tenha embora as Margens e o murmúrio,
não procures as águas noutro Sangue.
Sejas mulher, ou guardador de cabras,
o Ventre aberto, e o sangue descerrado
devolverão na treva o teu Gemido
e o Negro Gavião da soledade
é tudo o que no Ventre hás de alcançar.

O Pasto Incendiado, de A Fêmea e o Macho (Terceira parte do poema O Cego e o Mundo)

Ariano Suassuna

Cartas íntimas

Foto: retirado da Internet

Se considerarmos a importância da fonte inspiradora na criação de uma obra-prima, o grande quarteto de cordas apresentado pelo Hugo Wolf Quartett ontem, no Mosteiro de São Bento, não foi o 14° de Mozart ou o 7° de Beethoven, mas o n° 2 do tcheco Leoš Janáček.

Luminoso e transfigurador em todos os seus quatro movimentos, onde se destaca por diversas vezes o amplo uso de harmônicos em passagens de arcadas rápidas e as partes da viola no primeiro movimento, o quarteto de Janáček foi intitulado por ele mesmo de Cartas íntimas em razão da mensagem de amor intenso e até transcendental (pois nunca se concretizou carnalmente) à jovem Kamila Stösslová.

Tornou-se conhecida a relação platônica entre Janáček e Stösslová, sobretudo, porque tenha sido um caso único na História da Música onde uma mulher inspirou tão profundamente um músico ainda sem reconhecimento que o motivou a produzir obras que o transformaram em um aclamado nome quando ele já estava na terceira idade.

Ambos, casados, conheceram-se em 1917 e relacionaram-se através de uma longa troca de cartas até a morte do compositor, em 1928. E o Quarteto n° 2 não foi a única obra que nasceu das centelhas de amor de Janáček. Stösslová rendeu também a criação da ópera O diário de alguém que desapareceu, da Missa Glagolítica e da Sinfonieta.
Foto: André Sampaio

Merece um elogio a parte no concerto a explicação preliminar dada pelo violoncelista Florian Berner, que surpreendeu os ouvintes com um português muito claro.

Quintal olindense é ladeira, música é alimento


Som da ladeira é assobio da noite (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Olinda, única

Da bruma leve chega o vento
Acompanhado do sopro da Música
Radiante como o varar do Sol
Refletindo na ladeira do quintal


Irmãs Beneditinas

Foto: Tiago Calazans

Ontem no concerto do Paraibones, as duas primeiras filas de bancos do lado esquerdo da Igreja [de Nossa Senhora] do Monte estavam ocupadas pelas atentas anfitriãs do local: as Irmãs Beneditinas. Muito sorridentes, embora algumas fossem reservadas, elas ocupam a comunidade monástica ligada à igreja desde 1963, quando sete monjas da igreja de Nossa Senhora das Graças, de Belo Horizonte, vieram para a do Monte, fundada em 1535 e reformada em 2004-2005. Após o concerto, Irmã Verônica - superiora da comunidade - explicou que nem todas as irmãs estavam presentes: três das 22 encontram-se de licença por motivos particulares, mas as demais assistiram à apresentação.

 Foto: Rafael Andrade

Em Olinda, tanto quanto a Arte, Música está em toda parte


Jovens da Banda Disco de Vitrola soltam um som no Carmo
(Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Ladeiras cantantes

A Cidade Alta se ferve de cultura. A música acaba surgindo assim, do nada, faz parte da alma pernambucana. A cada geração, uma nova forma de se fazer e viver a música. Da Olinda dos grêmios, surge a cada santo dia, uma nova trupe, um novo conjunto, uma nova banda. Nada melhor então, que uma MIMO, para turbinar essa efervescência.

Imperdível: Oficina do Sabor a preços convidativos nesta terça, último dia da MIMO 2010


Conheça o ambiente e o assistente do Chef (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Restaurante completa 18 anos de Olinda

Não é propaganda enganosa. O cardápio da oficina do chef César Santos realmente está convidando os visitantes da MIMO 2010 para uma imersão total na cozinha regional contemporânea deste que é o restaurante mais condecorado da Cidade Alta. E como por trás de um grande chefe, existe um grande assistente, a equipe do Blog da Mimo adentrou no espaço exclusivo do local, juntamente com o auxiliar braço-direito de César, há mais de 9 anos, Sebastião Vicente, em busca desse tão propalado convite ao deleite.

É que, acompanhando a programação e o fluxo intenso de visitantes para os concertos e mostras de cinema da MIMO, a Oficina do Sabor resolveu implantar o menu individual temático para o festival, a R$ 48, incluindo entrada, principal e sobremesa.

Confira o menu
ENTRADA Queijo coalho Mara-Manga
(queijo assado em cubos ao molho de maracujá e manga)
PRINCIPAL Frango no Quiabo
(frango em cubos refogados com alho, cebola e quiabo)
SOBREMESA Goiaba recheada
(goiaba mergulhada no vinho tinto e recheada com creme de queijo e sorvete de baunilha)

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Cabeludo Patriota

Considerado a espinha dorsal do grupo "Os mutantes", Arnaldo Baptista é um dos artistas mais sinceros e intensos que a música brasileira já teve. Trasitando entre o céu e o inferno durante toda sua trajestória artística, Arnaldo ficou conhecido também pelo seu romance conturbado com a até então parceira de banda Rita Lee.

Após a saída dos Mutantes por divergências e problemas pessoais, o músico mergulha em um inferno astral, colaborado também pelo fim do casamento com Rita Lee. Apesar disso Arnaldo aposta na carreira solo e lança aquele que seria considerado um dos discos mais verdadeiros da história da música brasileira: o Lóki, que foi totalmente gravado sem nenhuma repetição durante a execução em estúdio, evidenciando toda amargura e melancolia que estava vivendo.

Além da carreira solo, o mutante também integrou a banda de Rock Patrulha do Espaço, gravando apenas dois discos, já que no início dos anos 80 os problemas com drogas já tinham ultrapassado limtes culminando na tentativa de suicídio que o deixou em coma, retomando assim sua vida normal tempos depois.

Sempre muito competente e transparente, Arnaldo foi um artista que mergulhou de cabeça em tudo que fez sendo reverenciado até hoje no Brasil e no mundo pelas suas obras e pela sua história. O documentário sobre a vida do músico é um relato emocionante e visceral jamais vista, arrancando lágrimas e aplausos por onde passa.

"Arnaldo Baptista foi o músico mais importante que o rock brasileiro já teve" (Rogério Duprat)




Festival MIMO de Filmes
Filme: Lóki
Data: 07/09
Local: Mercado da Ribeira
Horário: 17:30

Tom Zé apoteótico


Uma explosão de energia e vitalidade. Foi o que o Tom Zé demonstrou mas uma vez em sua apresentação na MIMO nesse últmo domingo. Sempre interagindo com o público entre uma canção e outra, o músico esbanjou simpatia e felicidade ao dizer que estava em Olinda e que adorava a cidade. O que não faltaram foram histórias inusitadas que davam o mote para a próxima música. Canções como Augusta, Consolação, 2001, Menina amanhã de manhã, e claro, a tão sempre bem-vinda politicar contagiaram o público que não queria saber de ir embora após fim do show.

De fato, Tom Zé não poderia se encaixar em nenhum estilo musical, sua obra está muito acima do que qualquer rótulo, não há limitações para o que compõe e muito menos para sua performance em palco. Sempre original e criatvo, o músico só reafirmou mais uma vez sua genialidade por ser um artista tão completo e multifacetado.

Amargo que nem jiló

Foto: divulgação

O Paraibones ontem homenageou Radegundis Feitosa com diversas músicas que o trombonista havia regido ou tocado em seus 48 anos de vida, até o acidente de carro fatal que o vitimou junto com outros três músicos em julho último no interior da Paraíba.

Saudade do aconchego, de Nando Cordel e Dominguinhos, foi escolhida especialmente para a homenagem porque foi uma das músicas para as quais Radegundis pediu a Maestro Duda (compositor residente da MIMO 2008) que fizesse um arranjo incluindo um solo.

No entanto, o Paraibones não quis deixar que o público saísse com aquela ponta de tristeza - que não condizia com alguém apelidado carinhosamente por alguns de Risadinha - e então apresentaram no segundo bis Que nem jiló, um dos maiores sucessos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Em poucos segundos, você pode compreender nesse vídeo porque o virtuose paraibano foi tão admirado por alunos e amigos.

Toda a delicadeza da harpa de Cristina Braga no Seminário de Olinda


Momento sem Dado Villa Lobos (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Antes da apresentação, já se prenunciava que o encontro seria inusitado. Harpa e guitarra juntas numa mesma Igreja, em pleno domingo (5). Da parceria (que não é tão novidade assim), a mistura do samba e da bossa nova com o rock. No palco, a primeira Harpista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio e o ex-Legião Urbana. Fãs enchem o santuário e o pátio se empolga com os hits de Renato Russo. Pena a inconveniência da acústica. Mas o manto preto que recobria todos os integrantes do conjunto deram o tom neutralidade da dupla. No entanto, muitos sentiram falta de algo mais (...), talvez alguma imagem no santuário vazio, emoldurado de madeira e fixado sem revestimento. Faltou aderência, sobrou charme e glamour estilizante.

Plateia estava em busca da Legião Urbana (Foto: Davi Lira / Do Blog da Mimo)

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Fotos do penúltimo dia da MIMO 2010


Foto: Beto Figueiroa/UseFoto
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Vídeo e imagem da Festa da Mimo realizada neste domingo


Som e imagens ao fundo (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Festa do off

Finalmente alguma imagem e um pequeno vídeo da tão comentada Festa da MIMO, realizada neste domingo (5), no Mercado da Ribeira, em Olinda. No local estavam reunidos produtores, realizadores, jornalistas, músicos, artistas, cineastas e estudantes de comunicação.

(Foto: Davi Lira / Da equipe do Blog da Mimo)
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Ribeira recebe palestra e outros dois documentários no último dia de Festival

(Foto: Davi Lira / Da equipe do Blog da Mimo)

Para os que ainda não conhecem o famoso Mercado da Ribeira ou simplesmente para os que estão interessados na programação do último dia de Festival Mimo de Cinema é bom ficar atento à palestra que vai ocorrer às 15h, sobre produção musical para Cinema no Nordeste, com Fred Zero Quatro, Marcelo Gomes e Renato L, e aos documentários que vão tá rolando às 17h30 (Loki - Arnaldo Batista) e outro sobre os Mamonas Assassinas, às 20h.

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Excelentes crepes na Cidade Alta

Quem entra na Cidade Alta pela praça do Carmo com a intenção de seguir até os Quatro Cantos, invariavelmente passa pela praça Conselheiro João Alfredo, em frente da Igreja de São Pedro Apóstolo. Diante dela, de esquina, fica uma das principais creperias de Pernambuco, cujo nome não poderia ser mais simples e despretensioso: Creperia. O restaurante, que também possui cardápio de pizzas, destaca-se não somente pela variedade de sabores, inspirada tanto no regional quanto nos crepes clássicos, mas também pelos seus quatro distintos ambientes: o jardim, a sala, um quarto reservado (com apenas duas mesas) e a sala de jantar, ricamente decorada com echapes e flâmulas de cluves de futebol europeus, em especial portugueses.

Creperia
R. Prudente de Moraes, 168, diante da praça Conselheiro João Alfredo
Telefone: 3429-2935

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A Creperia será o ponto de encontro para a confraternização do Blog da Mimo, hoje às 19h30.

Compositor de trilha dos filmes de Selton Mello faz palestra na Ribeira


Plínio fala do processo de concepção de trilhas (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Da respiração da imagem surge a trilha

Davi Lira
da equipe do Blog da Mimo

Músico, dj e instrumentista, o carioca Plínio Profeta, com a leveza que lhe é característica proferiu uma palestra de forma participativa e descontraída. "Nunca dei palestra na minha vida", brincava o compositor de trilhas que esteve neste sábado (4) no Mercado da Ribeira, em Olinda, juntamente com uma dezena de participantes. Com a proposta de apresentar um apanhado de clássicos sonoros no Cinema em conjunto com seus trabalhos mais recentes, o músico, atualmente focado na produção do próximo longa de Selton Mello, O palhaço, não fugiu à doutrina estética e tradicional dos críticos de cinema.

Não faltaram menções às já conhecidas trilhas de Bernard Herrmann em Psicose (1960): "A junção perfeita da música e da imagem, com a entrada de peso do celo", setencia Profeta; de Ennio Morricone na filme Por um punhado de dólares (1964), do memorável Sergio Leone; além é claro referências às propaladas bandas sonoras de Tubarão e King Kong.

Além dessa prevalência de trilhas baseadas em tema de personagem (light motif), tão bem trabalhadas por Ennio, Plínio destacou o recurso bem utilizado da música diagética mesclada com a não diagética, ou seja, o som ambiente e de objetos que compõe a cena se misturando com a trilha que é produzida externamente.Um trabalho interessante trazido pelo palestrante foi a trilha desenvolvida por Miles Davis, em Ascensor para o cada falso (1958). A Florence, de Jeanne Moreau, caminhando pelas ruas de Paris aflita, com sentimentos de traição e angústia no ar compõem a atmosfera captada por Davis.


Trecho do duelo em Por um punhado de dólares (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

CINEMA INDEPENDENTE - Mas para Plínio Profeta, o cinema indie vive um momento diferente. "Hoje é comum perceber que os filmes independentes estão mais secos", fala o músico citando os trabalhos da cineasta argentina Lucrécia Martel (O pântano), e dos documentários de Eduardo Coutinho em geral. No entanto, ele juntamente com Selton Mello compartilham de outra visão. "Não gostamos dessa ideia de cinema seco, pouco musical. A trilha deve ser utilizada como um instrumento indultor da emoção, não vemos problemas quanto a isso".

Realmente não há problemas. Basta conferir a sequência de 7 minutos do filme Feliz Natal, de Mello, para identificar que é possível se aproprioar da força do som, sem o diálogo, mas em perfeita consonância com as imagens. O resultado expressivo não poderia ser diferente. A integração com os ruídos, fundamentada pela linguagem eletroacústica em conjunto com o acorde da viola caipira propicia uma imersão completa na cena e na narrativa fílmica do vídeo.

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O mais novo morador de Olinda

O Blog da Mimo soube em primeira mão que Jerzy Milewski, residente a vários na Praia do Leme, no Rio, agora vai passar mais tempo em Pernambuco. Ele e a esposa, Aleida Schweitzer, comprar neste final de semana uma casa na Ladeira da Sé para ficar mais próximos da tranquilidade e do ambiente artístico da cidade que há sete anos o acolhe durante a Mostra de Música Internacional em Olinda.

 
Foto: Tiago Calazans

Imagens do show!

Slideshow com fotos do concerto de Leo Gandelman e do Novo Quinteto.




Fotos: Rafael Moura

Aula-show sobre Gnatalli

Foto: Rafael Moura

Sob os olhares e ouvires atentos do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, que sentado a primeira fila da Igreja do Seminário de Olinda se sentia em casa, iniciou-se a aula-concerto do saxofonista Leo Gandelman e do grupo Novo Quinteto. Acompanhado por uma formação idêntica à criada pelo maestro e compositor Radamés Gnatalli, Leo Gandelman comandou uma belíssima apresentação. O público, que lotava a igreja e também a área externa, teve a oportunidade de conhecer melhor o trabalho de Gnatalli graças às explicações dadas por Gandelman e por Henrique Cazes, violonista do Novo Quinteto.

O concerto foi iniciado com a execução da obra Bate Papo e finalizado pela música Valsa Triste (homenagem a Paulo Moura), ambas de Gnatalli. Ao fim, os aplausos e sorrisos do Maestro Isaac Karabtchevsky, que estava ao lado de Dom Fernando, igualmente satisfeito, refletia a beleza da apresentação e o sentimento do público como um todo.

Mais uma vez a MIMO consegue cumprir seu objetivo de trazer música de qualidade aliada ao aspecto educativo. Para os que tiveram a oportunidade de assistir, o concerto foi, sem dúvida, um momento único de aprendizado.

Área externa da Igreja do Seminário de Olinda
Foto: Rafael Moura

"Mago das cordas" finaliza programação da Mimo no Carmo

Camaleão Carioca

O título do último trabalho de João Gaspar reflete diretamente a personalidade artística do músico. Após acompanhar por mais de três anos a cantora Zélia Ducan e por um ano o saxofonista Léo Gandlman e tantos outros artistas da mpb, de Ivan Lins a Naná Vasconcelos, João transparece dedicação nesse trabalho autoral. É na riqueza de improvisos e nos timbres, além nos cuidados dos seu arranjos que o "mago das cordas" de Mesnescal impõe a versatilidade e a peculiar estética de sua música.

Concerto
João Gaspar Quarteto
Data: 07/09/2010
Hora: 18h
Local: Praça do Carmo (Olinda/PE)

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Documentário sobre Mamonas Assassinas promete atrair grande público nesta terça de feriado

Mamonas forever

Em 90 minutos de vídeo, o ressurgimento de boas e irreverentes lembranças. Através de imagens inéditas e depoimentos de familiares e amigos, os Mamonas Assassinas voltam a ser reverenciados pelos milhares de fãs que deixaram desde 1996, ano do trágico acidente aéreo. Tendo como trunfo uma série de filmagens inéditas, o diretor Claudio Kahns reconta a trajetória do grupo que em menos de 10 meses invadiu o imaginário do brasileiro, de forma sarcasticamente inteligente.

Ficha técnica
Diretor e produtor Claudio Kahns Fotografia Johnny Torres João Pavese Montagem Anna Penteado Bruna Callegari Diana Zatz Felipe Igarashi Produtora Tatu Filmes

Festival Mimo de Cinema - Panorama Brasil
» Mamonas Pra Sempre
» Data: 07/09/2010
» Hora: 20h
» Local: Mercado da Ribeira (Olinda/PE)

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Macalé e o Lexotan

Uma das várias histórias sobre Macalé contadas por Marco Abujamra chamou atenção especial. Mostrando o bom humor e a forte personalidade do cantor, Abujamra revelou um dos momentos considerados por ele como mais "tensos" da gravação do documentário.

Segundo ele, após uma discussão (incluida no documentário) entre Marco e Jards, os dois passaram um longo tempo sem se falar. Durante este período o documentário continuou a ser produzido e, quando finalizada a edição, Abujamra decidiu ligar para Macalé para mostrá-lo o resultado final.

Marcaram de assistir na casa do cantor, sozinhos, às 18:00. Pontual e apreensivo, o diretor chegou à casa do seu personagem com a fita debaixo do braço e logo descobriu que Macalé havia convidado um "bando de gente" (sic) para assistir ao documentário com eles. E o pior: às 20:00. Segundo o diretor, estas duas horas demoraram uma eternidade. Enquanto esperavam, os dois circulavam calados pela sala, tensos e pensativos. Eis que de repente Macalé interrompe o silêncio dizendo: "Ô Marco, (tira um comprimido do bolso) você tá afim de devidir esse comprimido de Lexotan comigo pra gente poder relaxar"?

Os dois riram, dividiram o remédio, acalmaram-se e tudo acabou bem. Os convidados chegaram, assistiram e adoraram o filme.

Hoje, Marco e Macalé são muito amigos.

Sobre Macalé e outras bossas


Foto: Rafael Moura

Apesar do não comparecimento de Jards Macalé na palestra que daria em parceria com o diretor Marco Abujamra, a conversa, mediada pelo também diretor Pedro Severiano, rendeu muita discussão e boas histórias. Convidado para falar sobre a relação entre música e cinema, o processo de produção do documentário JARDS MACALÉ: Um morcego na porta principal e sobre suas impressões extraídas da relação com o compositor, Abujamra aproveitou para discutir vários temas que iam desde as relações de Macalé com as gravadores até o polêmico sistema de arrecadação de direitos autorais no Brasil. Mas o fio condutor da conversa foi mesmo o processo de produção e a relação conflituosa entre diretor e personagem.

Para além da trilha-sonora

Um dos destaques da palestra desta tarde fica por conta do foco escolhido pelo diretor. Ao decidir falar sobre cinema e música por um viés não tão abordado, Marco Abujamra possibilitou o debate sobre vários temas além de trazer novas e engraçadas informações sobre o compositor outrora taxado de "maldito".

Mais fotos

Com um certo atraso, trago para vocês mais algumas fotos do show de ontem na Igreja Rosário dos Homens Pretos em Olinda.

Antônio Madureira e Sérgio Ferraz





Fotos: Rafael Moura

Passagem de Som


Foto: Rafael Moura

Enquanto a fila dos ingressos começa a se formar, a Orquestra Contemporânea de Olinda sobe ao palco para a passagem de som da apresentação que acontecerá hoje, às 22:00, no Carmo.

Festa da MIMO 2010

Ontem aconteceu, no Mercado da Ribeira, a tão comentada Festa da MIMO. A equipe do blog esteve presente no local para trazer informações para os leitores que não puderam comparecer. No entanto, todos foram repentinamente acometidos por uma crise de falta de memória momentânea e não conseguem lembrar da noite anterior.

Mas não se preocupem. Neste momento todos passam bem e já conseguem resgatar algumas lembranças anteriores à festa.

Pianista Heloísa Fernandes enche Igreja de Guadalupe com sons folclóricos


Imagens do Concerto em 04/09/2010 (Vídeo realizado pelo Blog da Mimo)

Melodias do Nordeste

"O mais belo de tudo era que a pesquisa era feita enquanto as músicas eram cantadas, naturalmente". Entra as inúmeras interveções da pianista paulista durante apresentação neste sábado (4) na Igreja de Guadalupe, em Olinda, não faltaram reverências ao pioneiro da pesquisa etnográfica brasileira, Mário de Andrade, tampouco à cultura musical da região. "Parabéns por vocês terem uma terra tão maravilhosa como essa, rica e cheia de música", dizia Heloísa, confortalvemente acompanhamente pelo reconhecido baixista Zeca Assumpção e pelo percussionista Ari Colares, que chamou atenção de todos ao introduzir o solo da canção sobre os índios Xucurus de Pernambuco. Mas além dos cânticos influenciados pelos rituais indígenas, durante a apresentação o trio ainda trabalhou com sonoridades do coco caboclinhos e com músicas religiosas de reverência ao Santo Antônio.

FOLCLORE - Como Mário de Andrade, foi possível observar nessa apresentação que a pianista, de fato, acredita que é possível encontrar a alma do Brasil através do estudo das melodias de sua própria gente. O mais interessante no entanto, é que em vez da utilização do folclore de cores típicas e ritmos fortes, a pianista preferiu uma atmosfera delicada e introspectiva. Pena que toda essa exuberância criativa não foi tão bem apropriada por parte da plateia. Por problemas na acústica, dificuldades de acesso ao local e programação repleta de outros concertos, alguns não puderam ficar até a execução da última composição sobre os caboclonhos. A mais vibrante, e genuinamente pernambucana, com a cara de carnaval e um reflexo de Olinda.

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Uma festa a la Gnatalli

O espetáculo começa com um Bate Papo alegre, descontraído. Começar uma noite Assim é melhor! Vem uma Serenata no Joá, aquela Variação sobre um tema de viola, aquele belo Samba Canção e depois um Choro... aí a coisa esquenta! A fumaça do meu cachimbo já mostra que a festa tá boa. Todo mundo Remexendo na cadeira, cantarolando junto com a banda. Eis que de repente o caro Amigo Pedro anuncia que tá chegando ao fim. Dispara a tocar aquela Valsa Triste. Tudo muda. O público se senta novamente. Bate aquela Amargura, aquela tristeza que insiste em tomar conta do ambiente. O som começa a ficar baixinho, lento e, como um anúncio melancólico, o concerto vai tomando ares de encerramento. Os músicos se levantam, reverenciam a platéia. É hora de aplaudir, agradecer e esperar uma próxima vez.
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A referida festa acontecerá hoje, 06/09, às 19:00, no Seminário de Olinda, onde será realizada a apresentação do saxofonista Leo Gandelman e do grupo Novo Quinteto.

Uma estrela de Botafogo



Um dos mais importantes compositores de samba do Brasil, Walter Alfaiate passou muito tempo desconhecido do público até meados dos anos 70, quando foi descoberto na voz de Paulinho da Viola que regravou alguns de seus sambas como "cuidado, teu orgulho, te mata" entre outros. O sambista ficou bastante conhecido por compor sambas para escolas do Rio de Janeiro, até ser convidado pra ingressar no G.R.E.S da Portela. Apesar de possuir uma média de 200 sambas em cerca de 50 anos de carreira, Walter só gravou apenas um disco chamado "Olha aí". O documentário sobre sua vida: Walter Alfaiate - A elegância do samba vai contar com depoimentos de amigos e artistas que conviveram com o músico no bairro carioca de Botafogo.


Festival MIMO de cinema
Walter Alfaiate - A elegância do samba
Data: 06/09
Local: Mercado da Ribeira
Horário: 17:30

Sinfônica de Barra Mansa: conheça os bastidores equipe de produção

Produção: Elisama Neves (Foto: Davi Lira / Equipe do Blog da Mimo)

Há três anos produtora acompanha orquestra pelo Brasil

Da cidade de Barra Mansa, a 127 km do Rio de Janeiro, diretamente para Olinda. Não é somente a distância que é longa, a estadia também é esticada (são 9 dias de permanência), e a quantidade de passageiros é bastante expressiva (70 dos 110 componentes da orquestra desembarcaram em Pernambuco). Para dar conta de toda a organização de transporte, traslados, hospedagem e alimentação da orquestra residente da MIMO 2010, uma única pessoa, Elisama Neves.

Mas, a coordenadora de produção da sinfônica, mesmo com o corre e corre diário e cansativo, acumulado durante mais de três anos, comenta sobre a satisfação de participar desse grupo, fruto de um projeto de fomento à atividade musical no município. "O governo da cidade foi quem criou e implantou uma cultura de música em Barra Mansa. O grupo é resultado direto dessa política pública", afirma se referindo ao bem sucedido Projeto Música Nas Escolas.

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Na véspera de feriado a pedida em Olinda é o Black Jack

Samba bem - edição especial after Mimo

Clássicos de grandes mestres sambistas. Esse é o repetório que promete agitar a cidade alta, após a programação da MIMO nesta segunda (6). Assim, para quem quer aproveitar Olinda por inteira, a pedida do fim de noite é O bar Black Jack que recebe em seu espaço, a partir das 23h, a banda Conjunto Maravilha. No repertório do grupo não faltará espaço para o Noite Ilustrada, Jorge Ben, Cartola e Clara Nunes, além, claro, de canções próprias.

ps: As primeiras 20 mulheres não pagam a entrada.

Serviço
» Black Jack Pub
» Praça de São Pedro, 32 (Olinda/PE)
» Ingressos: R$ 8 (homem) e R$ 5 (mulher)
» Outras informações: 81-88100755 ou 81-88372137

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Veja imagens do quarto dia da MIMO 2010


Foto: Beto Figueiroa/UseFoto

Os caminhos da composição para o cinema

Pessoal, ontem na palestra sobre Música e Cinema, contamos com as participações do Diretor Walter Lima Jr. e o músico Wagner Tiso debatendo um pouco questões voltadas para a composição de uma trilha sonora. Enquanto o diretor disse que escreve seu roteiro baseado em um som, o músico faz o caminho inverso, compondo suas canções após uma uma visão imagética. O trabalho dos dois convidados foi analisado e intermediado pelo professor e cineasta: Pedro Severien. Confira abaixo algumas fotos do evento:

Fotos: Allissa Andrade

Tiso é Rock n' Roll

Pessoal, como vocês já acompanharam aqui, hoje é o dia da apresentação do músico Wagner Tiso. E, pra quem não sabe, Tiso foi um dos fundadores do grupo de rock "Som Imgainário". Considerada progressiva, a banda foi formada a princípio para acompanhar Milton Nascimento. Alguns de vocês devem saber que no final dos anos 60 e começo dos 70, alguns músicos brasileiros mergulharam na onda psicodélica, que virou febre durante aquele período. E com o Wagner Tiso não foi diferente, mergulhou por vários estilos, procurando aperfeiçoar cada vez mais suas composições. Como o próprio músico disse ontem: "Eu faço música! Não importa o estilo."

Aí vai uma mostra do que estou falando: Wagner Tiso tocando com o Som Imaginário:

Viva o Brasil!


Uma das mais belas igrejas da cidade alta em Olinda, recebeu nesse domingo às 16h30, o conjunto de Cellos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que apesar disso, tem músicos naturais de diversos lugares do Brasil.

Com peças que transitaram entre Bach (1685-1750) e Lachner (1856-1910), o conjunto apostou na contemporaneidade, através da música brasileira. Para isso não poderia faltar em seu repertório o grande maestro Villa-Lobos com a Bachianas Brasileiras nº 5, lindamente interpretada em seus dois movimentos, Ária e Dança, com a partipação da soprano Alzeny Nelo.

Continuando em solos brasileiros, ouvimos ainda Romeiros de São Fancisco de Ernst Widmer (que apesar de suíço, morou muito tempo no Brasil) com seu folclore baiano, seguida de Oniçá-Orê de Lindembergue Cardoso (1939-1989).

Entre uma peça e outra, o professor de Cellos da UFRN Fábio Presgrave ia ao microfone informar o que seria executado a seguir, como também contava algumas curiosidades; dentre elas, ao anunciar a peça de Ernst Widmer, explica que o compositor veio ao Brasil a convite Hans-Joachim Koellreutter (fundador da escola de música da Universidade Federal da Bahia), o qual fora também professor do músico Tom Zé.

Ao final do espetáculo, o conjunto voltou para o Bis sem anunciar o que seria ouvido, informando apenas que todos iriam reconhecer ao soar os primeiros acordes. E, para surpresa de todos o conjunto tocou com bastante entusiasmo o tema da abertura do desenho animado "Os Simpsons".