terça-feira, 8 de setembro de 2009

The end

Agradecemos a todos vocês que prestigiaram a Mimo 2009 - indo a um só concerto ou a todos os possíveis - e a fizeram brilhar mais do que nunca ao longo das últimas cinco noites em Olinda, sem falar nas três tardes recifenses e na abertura em João Pessoa.

Sempre que estiverem com saudades, passem a vista nas poucas linhas que registramos por aqui. Nos vemos em 2010, com mais música e mais novidades.

Um "muito obrigado" de toda a equipe da Mostra Internacional de Música em Olinda.

Ih, acabou?



Um vídeo da noite de quinta-feira, pra gente ficar com um gostinho de começo!

Happy hour final

A despedida da Mimo aconteceu na Casa de Noca, que fica perto da Ladeira da Misericórdia, com direito a muita cerveja e macaxeira mais queijo coalho e carne de sol.

Marcaram presença toda a equipe de produção e de imprensa da Mimo (exceto os outros quatro integrantes deste blog), a equipe da Rec Produções (que cuidou da filmagem da Mostra), alguns jornalistas e mais:

- O Quarteto de Cordas de São Petersburgo (sempre em todas).
- A Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades.
- Hermeto Pascoal e sua banda.
- Maestro Duda, seu filho Marcos e sua neta Thaís.
- A pianista Joana Boechat.
- Maestro Forró.

Honrada cerveja

Na hora de sair da Casa de Noca (vide post acima), chamamos* Hermeto Pascoal para brindar conosco e ele disse que o faria com prazer, mas não tomaria a cerveja pois tinha de dormir direito e voltar pro Rio hoje.

Respondi de bate pronto que não teria problema algum e eu assumiria o copo dele. Assim, bebi uma honrada cerveja e ganhei uma pitoresca história pra contar, mais preciosa que muitos autógrafos que eu pedisse.

***

* Chamamos eu e dois amigos que estávamos lá. O resto da equipe do blog estava em suas casas, postando e preparando-se para voltar à vida normal.

História de bastidores


Foto: Beto Figueiroa

Clóvis Pereira contou uma curiosidade sobre como Hermeto Pascoal adquiriu desenvoltura no manejo de tantos instrumentos: um cunhado de Clóvis (marido de uma irmã sua) era o responsável pela guarda dos instrumentos da orquestra da Rádio Jornal, na década de 50.

Como esse cunhado gostava de Hermeto, e o "Zanoio"* por sua vez tinha muito tempo livre (já que só fazia bicos como sanfoneiro), ele liberava a chave e o deixava ficar treinando o quanto quisesse.

Clóvis lembra ainda que Hermeto e um irmão, os quais faziam trio com Sivuca, eram apelidados de "Los Hermanos Sivuca".

***

Zanoio é a alcunha que o próprio Hermeto utiliza pra si mesmo, inclusive nos autógrafos.

Aplausos ao Guerra


Foto: Internet - Reprodução

Muito merecida e muito inesperada a homenagem de Hermeto Pascoal não só ao maestro Clóvis Pereira, mas também a César Guerra-Peixe (1914-1993), professor de Clóvis no início da década de 1950.

Hermeto não foi aluno do "Guerra" (alcunha com quem os chegados tratavam o maestro e compositor fluminense), mas sabe da importância que ele teve pra música pernambucana, especialmente pelo livro Maracatus do Recife (1955) - raro até mesmo em sebos - e pelos alunos brilhantes que deixou em Pernambuco: Clóvis, Jarbas Maciel, Sivuca, Capiba e, poucos sabem, o Padre Jaime Diniz.

Guerra-Peixe foi de fato o primeiro compositor erudito a fazer anotações de campo, como se fosse um etnomusicólogo, e a usar suas notas como material para composições, diferentes de contemporâneos seus, que se valiam de registros feitos por etnomusicólogos.

Num morro do Recife, um português de outrora

O bairro onde nasceu a orquestra do Maestro Forró, um morro da Zona Norte do Recife, deve seu nome a um senhor português que ali viverá noutros tempos - Seu Hemetério - e instalou uma bomba d'água em sua casa, permitindo que os vizinhos também pudessem usufruir da benesse.

Variações sobre o tema de Vassourinhas

A Orquestra Popular da Bomba do Hemetério fez o público vibrar com suas variações em ritmo de maracatu nação, valsa e swing (swing à la Glenn Miller) sobre o tema de Vassourinhas, no show de encerramento da Mimo.

A sintonia entre o Maestro Forró e sua orquestra prova a "telepatia" entre regente e músicos, da qual falou o maestro Isaac Karabtchevsky, no concerto de domingo no Recife.

O maestro Clóvis Pereira, por sinal, escreveu uma obra sinfônica sobre Vassourinhas, que consta no CD 100 anos do frevo, da Biscoito Fino.

Meise quietinha

Maestro Duda, em mais uma de suas "tirações de onda", disse que sua filha Meise, a quem dedicou Meise no frevo, foi a única de sua prole a quem nunca viu dançar: "Ela não merecia esse frevo, não", disse, aos risos.

Padre Jaime Diniz

Maestro Duda, no concerto da Igreja de Guadalupe, explicou que fez o arranjo de Canção piazzollada, de Sivuca a pedido da viúva do sanfoneiro, Glorinha Gadelha.

O Maestro lembrou também que Sivuca e ele foram alunos do Padre Jaime Diniz (falecido em 1989) na Igreja do Carmo - professor de música dos mais cultos e estimados em Pernambuco.

Estive na Mimo

"Falar da Mimo é um prazer e uma grande emoção. Prazer porque o clima que paira em Olinda nesses dias é de muita alegria, um vai-e-vem de pessoas de todas as idades, falando, rindo, comentando, enfim, desfrutando do local e do alto astral que se instala. Uma emoção, às vezes, sem palavras para descrever : a noite de abertura na Sé, com aqueles dois violinistas magníficos, foi pura magia; o concerto da OSBM com o exímio pianista Luiz de Moura Castro foi deslumbrante; o Quarteto de São Petersburgo esbanjou competência nas duas apresentações em Olinda e no Recife e a pianista Joana Boechat com uma simpatia e naturalidade tocando com maestria e leveza, encantou a todos. Só lamento mesmo não poder ver tudo, pois algumas apresentações quase coincidem o horário e para pegar ingressos tenho que abrir mão de alguma. Mesmo o esforço para pegar ingresso (filas longas e em pé), o resultado final vale a pena. Bom, passou rápido e agora, resta aguardar a próxima edição, se Deus quiser, lá estarei".

Wilma Basto, biomédica

Mistério sempre há de pintar por aí

E não faltou mistério na apresentação Cíclopes que ocorreu na praça do Carmo hoje à tarde. Como o grupo é itinerante, surge a chance de adaptar a peça ao local onde vai ser encenada. Não deu outra: logo fizeram dos arredores da igreja do Carmo um anexo de seu cenário. Em termos de arte, a encenação caberia certinho no conceito de happening. E para quem quiser saber do que se trata, é só clicar aqui.

"Quem quer cantar?"

É, em meio a tanta descontração, Hermeto ainda perguntou se tinham alguém no público querendo cantar. Engraçado, com tantos cantores presentes, ninguém se encorajou a acompanhar o gênio. O jeito foi improvisar um coro, regido pelo próprio Hermeto e acompanhado pela Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. E não é que ficou bonito!

Maiores informações

Para os que gostam de uma informação a mais, vale ressaltar que a peça Cíclopes encenada pelo Cia. de Mystérios e Novidades é uma adaptação da sátira homônima de autoria do poeta grego Eurípedes. Famoso por escrever tragédias, o autor só conseguiu concluir uma sátira, que sobreviveu e chegou a nossos tempos.

Abaixo, o vídeo promocional da apresentação:

Também merece, né?

No meio de composições e arranjos do Maestro Duda, pintou uma outra homenagem anacrônica, porque nem mesmo o arranjo era dele. A música era Billie Jean, de Michael Jackson, e o trompetista Marquinhos Carneiro se apresentou de chapéu, óculos e luva branca, tudo como manda o figurino. Até que o Rei do Pop merecia uma homenagenzinha na Mimo, né?

Um show de homenagens

Foto: Beto Figueiroa

Muito simpático, o "doido", como foi chamado por Maestro Forró, prestou homenagem ao maestro Clóvis Pereira, pelo qual declarou ter sido muito influenciado. E não economizou elogios ao chamá-lo para o "palco".

Homenagem mesmo ele prestou ao frevo. Do início ao fim do seu show, o ritmo pernambucano foi citado, seja na voz de Hermeto, nas notas do saxofone ou na batida do caixa da bateria. Homenagem mais bonita ainda quando com a presença da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e o Maestro Forró.

Ao professor

O pernambucano Moacir Santos foi homenageado, na noite de 7 de setembro, por seu aluno César Camargo Mariano, que, depois de contar brevemente a história de seu professor, tocou a obra April Child.

Moacir Santos nasceu em Serra Talhada, mas foi bater no Rio de Janeiro através da música. Multinstrumentista, ele batalhou muito em prol da educação e da evolução da música brasileira, mas foi pouco reconhecido no Brasil.

"Então ele resolveu ir para os Estados Unidos tentar a vida e, enquanto não era descoberto pelos americanos como excelente músico que era, viu a esposa e os sete filhos venderem cocada e pé-de-moleque pelo Central Park", contou Mariano. O tempo passou e Moacyr Santos ficou foi descoberto na terra do Tio Sam, compôs várias trilhas de filmes e tornou-se professor da Universidade da Califórnia. "Ele virou um deus em Nova Iorque", contou Mariano. Dos dias difíceis em na ilha de Manhattan, restou uma música, a April Child, que Moacir dedicou aos seus filhos.

Diante do silêncio da plateia, Mariano brincou: "Mas não é para ficar triste não! É uma história bonita de superação, de força de vontade".

Confiram a obra tocada por César Camargo Mariano e Romero Lubambo:

"O show foi sensacional"

Melhor definição não há para o show de encerramento da sexta edição da Mimo. As palavras foram do jovem guitarrista Gabriel Izidoro, da Banda de Joseph Tourton, mas representam a opinião de todos ali presentes. E não era pouca gente. Já no final da tarde, a fila que se formava para pegar o ingresso era de assustar. Na hora do show, parecia que estavamos em pleno sábado de Zé Pereira.

Nem o calor (para quem tava dentro da igreja), nem a chuva (para os que não conseguiram ingresso) foi capaz de dispersar o grande público, que pôde conferir um show para ficar na memória. Hermeto foi simplesmente sensacional!

O "velho mago" tocou todos os instrumentos imagináveis (e os inimagináveis também, vide solo de chaleira), conversou com o público e ainda recebeu a participação especial da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Ao final ainda desafiou o saxofonista Vinicius Dorin para um duelo entre sax e sanfona de oito baixos: "Tá com medo de mim é ?"

Maestro Duda, o contador de histórias!

Como estava achando muito enrolada a apresentação que seu filho, o trompetista Marcos Carneiro, estava fazendo das músicas que iam ser executados. Maestro Duda resolveu assumir esse papel. Dispensando a modéstia e reconhecendo o próprio talento, ele contou, uma por uma, a história de suas composições.

Thaís, por exemplo, é uma música que ele fez para sua neta (que estava na apresentação!). Ele explicou que fez aquela canção com uma pegada de bossa nova, porque os pais da menina gostavam muito de barzinho, "aquela coisa banquinho e violão", segundo ele. Já Espera ele compôs para sua mulher, que adoeceu quando ele estava às vésperas de viajar para se apresentar e não podia cancelar o compromisso. Segundo ele, para todas as pessoas da família existe uma música. Já que dinheiro ele não tem pra dar, ele compõe.

***

Ao apresentar a música Maxixe pra Quinteto, o Maestro contou que era a primeira vez que via aquela música sendo executada. Antes disso, só tinha escutado no computador, no programa que usa para compôr.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Guadalupe

Foto: Beto Figueiroa

A distância entre Igreja de Guadalupe e a maioria das outras igrejas onde aconteciam as apresentações da Mimo não intimidou as pessoas que queriam ver a homenagem do Quinteto de Metais do Nordeste ao Maestro Duda. O concerto das 18h30 do último dia da Mimo foi marcado por um clima de informalidade e o público pode dar muitas risadas com um "mestre de cerimônia" bastante conversador: o próprio homenageado.

O Quinteto trouxe um repertório com várias composições dele como Saudade e Nino, o Pernambuquinho e também executou músicas de outros compositores consagrados como Tom Jobim, Sivuca e Villa-Lobos com os arranjos do Maestro Duda.

Graças a Doutor João!

Às 19h da última noite, entra em cena, no Seminário de Olinda, um senhor de óculos escuros e começa a improvisar no piano. Logo após a segunda música, César Camargo Mariano explica: "Estou bastante gripado e a gripe terminou se tranformando em uma sinusite, que resultou em um derrame no meu olho".

Apesar de não ter participado do encontro de músicos marcado para este domingo, o pianista melhorou de ontem para hoje e marcou presença na Mimo. Mariano creditou sua melhora rápida ao médico pernambucano João Veiga. "Eu estava que não me levantava da cama, então o doutor João Veiga chegou no hotel e levou tudo embora. Quando ele saiu eu já estava levantando da cama", contou o músico. "Ele é o cara", brincou.

Curumim

Também faixa do álbum "Samambaia", citado nos meus dois últimos posts, a música Curumim, de César Camargo Mariano, teve sua história contada na noite de hoje. O músico revelou que compôs a obra para seu filho João Marcelo, que, quando pequeno, tinha cabelos negros e lisos, era moreno e vivia correndo pela casa. "Ele parecia um indiozinho e costumávamos chamá-lo de curumim" contou.

As releituras especiais de Mariano

Foto: Marcelo Lyra

O premiado César Camargo Mariano não precisou de nada além de um piano para fazer a alegria das pessoas que lotavam o Seminário de Olinda no início da noite de hoje. A apresentação, que começou com um improviso feito pelo pianista, teve como segunda música, a que dá nome ao disco "Samambaia", de 1981, que Mariano afirmou ter marcado uma fase muito boa de sua carreira.

No repertório do músico, que também é produtor, releituras de Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barros, e de Setembro, de Ivan Lins e Vitor Martins. "Setembro é na minha opinião uma das mais bonitas obras que existem", defendeu. O bis ficou por conta da bossa nova, com o clássico Wave, de Tom Jobim.

Mariano também revelou que tocar na Mimo estava sendo uma experiência fantástica, pois há muito tempo que venho namorando o festival. "Estou muito feliz de estar aqui e muito feliz de estar pela primeira vez tocando em uma igreja. É incrível o clima de serinidade que reina aqui", completou.

Nacionalismo no 7 de setembro

Muito aplaudidos do inicio ao fim, o Quarteto Radamés Gnatalli apresentou, nesta noite de encerramento da Mimo, um repertório muito adequado à data: 7 de setembro. Ao escolher os compositores nacionalistas Heitor Villa-Lobos e Cláudio Santoro, o quarteto fez uma belíssima homenagem à Pátria.

E nem o calor que, aparentemente, fazia no altar da Igreja de São Pedro foi capaz de apagar o brilho da apresentação. Muitos simpáticos, os músicos agradeceram à presença de todos e foram retribuídos com longos aplausos.

Resultado: ao final do concerto, uma pequena multidão se aglomerou para comprar o CD do grupo, que estava sendo vendido na saída da igreja.

Parafernália


Balangandãs, badulaques, batuques, miçangas, tamboretes, violas de toda sorte - moringas e tochas conduziram a alquímica apresentação da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades.

Quem esteve na praça do Carmo, a partir das 16h, pôde se encantar com os sortilégios da mitologia grega que os atores em pernas-de-pau entoaram e representaram. O sol, que no momento se punha, fez pairar de vez a atmosfera mítica do espetáculo - que por sinal lembrou em vários pontos as bacanais do teatro de oficina de Zé Celso Martinez, que você pode ver aqui:

Logo mais

Às 19h de hoje, o músico César Camargo Mariano toca no Seminário de Olinda. Mariano já trabalhou com ícones da música brasileira, como Elis Regina, Chico Buarque e Gal Costa e seu disco, "Samambaia" foi considerado um dos 10 melhores de música instrumental já editados no mundo. Confira um vídeo da música que dá nome ao álbum:

Mostra de cinema

Foto: Divulgação

Hoje, às 18h30, vai ser exibido o filme Palavra Encantada no pátio da Igreja da Sé. Um documentário sobre o cancioneiro brasileiro, focando na relação entre poesia e música, que traz o depoimento de vários ícones do nosso cenário musical como Chico Buarque, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes , Maria Bethânia, Lenine, entre outros. Essa é uma oportunidade para quem perdeu de ver o filme quando ele estava em cartaz no Recife.

Um pouco de Hermeto

Fechando a 6º edição da Mimo, Hermeto Pascoal se apresenta hoje, às 20:30, na Igreja da Sé.

Enquanto a hora não chega, vale a pena conferir algumas experiências do "mago dos sons":


Transporte

Duas vans da Mimo estão nas ruas estes dias para facilitar o acesso aos principais pontos de apresentação em Olinda. Elas saem da Biblioteca Municipal, a partir das 18h, e ficam circulando para transportar o público para as igrejas.

Um chorinho chamado Odeon

Para encerrar o concerto, no bis, Joana Boechat tocou duas músicas, sendo a segunda um conhecidíssimo chorinho, Odeon, cuja autoria é de Ernesto de Nazareth, mas que ficou famoso mesmo na voz de Nara Leão. Em seu debut solo, Fernanda Takai regravou a música com uma nova pegada. Para quem ficou curioso, segue o vídeo abaixo:

"Se for pra tocar Beethoven, que seja bem tocado"

Foto: Divulgação/Mimo

Muita gente se perguntava como um senhor de andar tão adagio como o pianista Luiz de Moura Castro tinha um espírito tão vivace ao tocar - eu também.

Então, lembrei-me de uma conversa com Prof. Eli-Eri Moura - em sua casa, em João Pessoa - quando comentei que o concerto da Petrobras Sinfônica na Mimo 2007, só com Chopin e Wagner, foi o melhor daquele ano no Grande Recife, "apesar do repertório conversador", disse eu.

E Eli-Eri (por sinal, genro do Maestro Duda) complementou: "Pois é, se for pra tocar Beethoven etc., que seja bem tocado". Essa observação voltou à minha cabeça ao ouvir Luiz de Moura Castro atuar com a Sinfônica de Barra Mansa e o Quarteto de Cordas de São Petersburgo, respectivamente sexta e sábado.

As duas execuções foram das mais belas de Mozart e Beethoven que se pôde ouvir em Pernambuco nos últimos tempos: fluida, de memória, sem erros, longe de toda banalidade e livre de qualquer equívoco interpretativo.

Pena que se todos esses predicativos fossem pressupostos para toda execução de compositores canônicos, perderíamos a noção do que é excelente e do que é mediano.

Calunga no choro

Foto: Marcelo Lyra

Falando no 1x0 de Pixinguinha, que Gianni observou alguns posts abaixo, David Linx (o qual ganhou minha simpatia ao cantar a Melodia Sentimental) talvez quisesse dançar samba, mas rolou "de boa" um passo de maracatu nação.

Falta de educação

Se fosse sobre a vida alheia, eu não teria prestado atenção, mas fiquei de orelha em pé ao me dar conta de que Marco César estava conversando perto de mim sobre a formação instrumental da Orquestra Retratos do Nordeste e fiquei com o bloquinho tomando nota. Isso dentro da Sé, antes de começar o show do trio Rubalcaba, Linx e Krakowski.

Ele explicava que o conjunto de cordas dedilhadas funciona exatamente como o de cordas friccionadas e que pode tocar sem transposição qualquer peça feita para esta, ou seja, lendo nas claves originais. Eis a formação:

Bandolins = violinos
Bandolas = violas
Bandoloncelos = cellos
Violachos = contrabaixos

Marco César também contou que, numa viagem a França, descobriu que existem bandoloncelos altos, tenores e baixos, se minha memória não falha (não deu pra anotar).

Naturalmente, devo minhas desculpas pela bisbilhotagem (risos)

Peçam bis porque tem bis

Para o concerto de encerramento do Curso de Regência, às 11h30 na Sé, dez alunos foram selecionados. Eles irão reger o Prelúdio da Bachianas Brasileiras n° 4, o Concerto n° 5 "Imperador" de Beethoven, em três movimentos, e a Quarta de Schumann, em quatro movimentos. Mas vejam que são dez alunos, listados abaixo, para um total de oito movimentos.

1. Antônio Henrique Seixas de Oliveira
2. Ciro José Tabet
3. Henrique Villas Boas de Alencar
4. Marcos Antônio Silva Santos
5. César Timóteo dos Santos
6. Eder Paulozzi Nunes
7. Leandro Schaefer
8. Alexei Nokonov
9. Laércio Sinhorelli Diniz
10. Flávio Fernandes de Lima

É que tem a Abertura de Carmen e o Miudinho da quarta Bachianas. Mas só se vocês pedirem bis.

"O músico é a fonte da música"

Declaração de Hermeto Pascoal a José Teles no JC de hoje, digna de reflexão (ou de discussão):

“Até esta entrevista que estou dando para mim é música. Ouço música o tempo inteiro nas coisas que estão em volta de mim, por isto nunca ouço discos. Quando vou aí ao Nordeste fico ansioso para ouvir os sons tão ricos daí, mas me decepciono. É só funk, rock, não tem nada do Recife, um frevo, um forró. Agora a culpa não é de gravadora, nem de rádio que não toca. A culpa é do músico, porque eu não gravo nada ruim. Se você pega água de uma fonte e ela é ruim, o problema está na fonte. O músico é a fonte da música. Se ela é ruim, a culpa é dele”.

***

Em tempo, pergunto-me se Teles está vaticinando, no fim da matéria: "E preparem-se porque, de repente, Hermeto Pascoal pode cismar e dar o bis descendo a ladeira da Sé".

A batuta mortal


Foto: Divulgação

Pra terminar de falar de Isaac Karabtchevsky, apenas deixo por extenso a historinha que ele contou sobre o cajado de Jean Baptiste Lully - arquiconhecida (para usar uma palavra típica do filósofo Olavo de Carvalho) de maestros, compositores e amantes da música clássica.

A batuta surgiu apenas no início do século XIX. Antes, os regentes usavam as mãos, o arco do violino (quando o spalla orientava o grupo) ou, mais antigamente, um cajado - com o qual marcavam o compasso batendo-o no chão.

Desde que Lully (o mais representativo compositor barroco francês) morreu de gangrena, uma semana após acertar seu próprio pé com o cajado, acidentalmente, seu finale tragicômico tem sido usado como história pitoresca - ou como alegoria do autoritarismo a ser evitado pelos regentes, já que o compositor (membro da Corte de Luís XIV, o Rei Sol) era irritadiço e caprichoso.

Respeitáááável públicoooo!

A Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades abre sua turnê de cinco apresentações no Grande Recife apresentando-se às 16h na Praça do Carmo, em Olinda.

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Não falamos nela aqui no blog porque, até mesmo para toda a equipe da Mimo, ela é um grande mistério e uma grande novidade.

Zero flashes!

O trio que se apresentou neste domingo, na Igreja da Sé, pediu que ninguém fotografasse ou filmasse a apresentação naquela noite. Apenas os profissionais que estavam registrando o evento para a própria Mimo puderam fazer fotos e vídeos.

***

Devido ao grande número de pessoas interessadas em ver o concerto, além de uma Igreja da Sé lotada, do lado de fora um aglomerado se formou para assistir a apresentação pelo telão.

Pedagogia com simpatia

Foto: Marcelo Lyra

Além do maestro Isaac Karabtchevsky, outra grande simpatia das atrações de música clássica da Mimo 2009 foi a [bela e] promissora pianista Joana Boechat, que, sempre sorrindo, falou sobre cada uma das peças do repertório e dos não aplausos entre movimentos.

Versatilidade

Sergio Krakowski mostrou ao público que um pandeiro produz muito mais sons do que sonha a nossa vã filosofia. Ao se meter entre dois renomados nomes internacionais do jazz, ele mostrou que a sua percussão portátil não se intimida diante de outros ritmos e que pode fazer uma parceria muito criativa com um piano. (Especialmente se é Rubalcaba quem está ao piano, né?)

O percussionista parecia, muitas vezes, tomado pelo ritmo do seu instrumento. E, em algumas músicas, o seu pandeiro travou duelo com o piano do cubano. Quem se divertia era David Linx, o belga era só sorrisos vendo os amigos esbanjar técnica e talento.

Eles estão em todas!

Foto: Marcelo Lyra

Apresentaram-se em Olinda, no Recife, passaram na festa da Mimo e, na noite de domingo, foram conferir a apresentação de Rubalcaba, David Linx e Sergio Krakowski na Igreja da Sé. O pessoal do St. Petersburg String Quartet não tá querendo perder nada da programação da Mimo 2009.

Surpresa das boas

Foto: Marcelo Lyra

A apresentação que aconteceu na Igreja da Sé, nesta noite de domingo, foi realmente incrível. Das melhores que presenciei na Mimo este ano, não só porque me arrancou lágrimas, mas, principalmente, pelos artistas de altíssimo nível.

O percussionista Sergio Krakowski, o cantor David Linx e o pianista Gonzalo Rubalcaba pareciam se conhecer de muito tempo, pois o entrosamento no palco potencializou ainda mais o clima gostoso da noite.

Um dos pontos altos da apresentação foi, sem dúvida, quando o trio executou Rosa de Pixinguinha e o cantor belga acertou o português em uma letra tão sofisticada e bela. Do compositor carioca também foi apresentada a música Um a Zero que ganhou uma forma bem diferente da que estamos acostumados a ouvir nas cordas do chorinho.

Fogos para a Mimo, afagos para a Sinfônica

Como Laura pontuou, alguns posts atrás, Isaac Karabtchevsky estava muito simpático, ontem, no concerto com a Sinfônica do Recife na Basílica do Carmo.

Acrescento: nunca presenciei, até o momento, uma preleção de concerto tão rica para o público quanto aquela. Numa empatia sem igual com a plateia, o maestro correspondeu aos aplausos de pé em sua entrada - manifestação a qual, acredito, somente Cussy de Almeida recebeu nos últimos tempos* - e dispensou a maior parte do tempo ao inusitado happening.

***

Toda vez que era interrompido pelos fogos de artifício de uma procissão que circulava pelos Bairros de Santo Antônio e São José, Karabtchevsky dizia que eles eram pra comemorar o sucesso da Mimo, pois coincidiu duas ou três vezes de espoucar quando ele falava no nome da Mostra.

Antes de sua informal aula de condução orquestral, o maestro também ressaltou a satisfação de vir ao Brasil ministrar seu Curso de Regência na Mimo, "num país que tem somente 11 orquestras sinfônicas", e levantou o moral da Sinfônica do Recife, diante do Secretário de Cultura da cidade, Renato L: "Digo aos políticos e ao público que zelem pela sua orquestra".

***

* Pelo trabalho com a Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, que se apresentou na Mimo 2008 com o Duo Milewski.

Estive na Mimo

"Muito bom ver um artista 'voltando' pra casa renovado, a busca por timbres e a união da eletrônica com a acústica, junto com a projeção de imagens, mostram que jam da silva está pronto pra ganhar o mundo."

Claudio Santana, percussionista

domingo, 6 de setembro de 2009

Cinema

O pátio da Igreja da Sé estava lotado no início da noite de hoje, durante a apresentação do filme Simonal: Ninguém sabe o duro que dei. A exibição faz parte da Mostra de Cinema da Mimo e recebeu elogios do público:

"Vim a todas as edições da Mimo e acredito que essa iniciativa de trazer filmes para a mostra é ótima, pois eles são uma grande alternativa para quem não está lá dentro das igrejas assistindo aos concertos. Achei o filme de hoje maravilhoso, esclarecedor e justo. Não sabemos o que realmente aconteceu na história do nosso País, mas sei que a ditadura foi realmente um período muito difícil e acho que Simonal foi injustiçado."

Andréa Luna, arte educadora.

Eu faço a Mimo

O maestro da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, Guilherme Bernstein, esteve presente no concerto da Orquestra Sinfônica do Recife e falou para o nosso blog:

"A apresentação de hoje foi linda, linda mesmo. Quanto a nossa participação na Mimo, foi o seguinte: no ano passado, alguns músicos da nossa orquestra vieram participar das oficinas da mostra e aí nós já ficamos com vontade de voltar. Então no início deste ano, nossos músicos tiveram a oportunidade de serem regidos por Isaac Karabtchevsky, que se empolgou e nos convidou para tocar na Mimo deste ano. É um trabalho difícil, pois trata-se de uma orquestra jovem, composta de alunos. Mas ninguém recusa um convite de Karabtchevsky! (...) A Mimo, além de ser uma vitrine para apresentar nosso trabalho a um público tão grande e diverso, tem um projeto educacional intenso. Nós da Orquestra Barra Mansa somos parte de um projeto educacional que é distribuído durante o ano inteiro, mas precisamos de experiências assim, de uma semana de atvidades concentradas para aprender e trocar experiências."

Fazendo um link

O percussionista Jam da Silva, ao utilizar seus instrumentos de maneira não convencional, acaba lembrando muito outro grande músico pernambucano: Naná Vasconcelos. A mistura de elementos eletrônicos, percussão e efeitos vocais faz este link ficar ainda mais claro.

Para quem não pôde assistir, basta acessar o myspace do artista ou assistir o vídeo abaixo.

O erudito de Boechat

Foto: Marcelo Lyra

Chegando no Convento de São Francisco, às 18h, tive a sorte de encontrar Joana Boechat ensaiando para o concerto que ocorreria em meia hora. Concentrada, a pianista dedicava-se aos acordes, enquanto a equipe da Mimo testava a iluminação, distribuía cadeiras e regulava o som, nos últimos ajustes. A chance de inquiri-la, sobre suas expectativas para o show e sobre sua opinião quanto ao festival, logo apareceu. "Estou muito feliz e muito honrada por tocar junto a pessoas nacionais e internacionais." Joana é calmíssima e foi solícita quando a abordei.

Ao começo do concerto, a pianista executou duas sonatas do barroco Domenico Scarlatti (1685-1757), compostas especialmente para um aluno excepcional na época em que o músico lecionava na Corte portuguesa. Após terminar as duas peças, Joana explicou o repertório que iria reproduzir ao piano, contextualizando os autores das obras de acordo com os períodos da música erudita aos quais cada um pertencia.

Assim, a platéia pôde apreciar tanto o romântico Brahms como os contemporâneos brasileiros Ronaldo Miranda (1948-) e Camargo Guarnieri (1907-1993) e o argentino Alberto Ginastera (1916-1983), além de conferir a maestria de Odeon de Ernesto Nazareth, no bis. E no final? "Não podia ter sido melhor, o público foi muito caloroso!", palavras da própria Joana.

Pão ou pães, é questão de opiniães

O mais interessante de se ir num concerto de música erudita - além da oportunidade de conferir um repertório diferenciado, claro - é a possibilidade de entrar em contato com diferentes opiniões. Como a proposta da Mimo transita entre o erudito e o popular, o público acaba por se diversificar.

Na apresentação da pianista Joana Boechat não foi de outro jeito. Inclusive, a bacharel em piano pela UFMG declarou estar ciente disso e, portanto, fez de tal um critério para selecionar as músicas a serem executadas: "Como percebi que a Mimo é um festival que mistura a música erudita e a popular, diversifiquei o repertório, afinal o público tem um perfil diverso."

O operador de produção Elvis Alves e a professora de piano Marielza de Moura - formada pelo Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo) - comprovam a afirmação de Boechat. "Sou leigo, é a primeira vez que ouço Joana e esse repertório. Uso a emoção para apreciar música erudita", relata Elvis.

Já Marielza, como dito acima, tem uma formação musical mais consolidada; é soprano do Coral Madrigal de Olinda e dá aulas particulares de piano: "Há seis anos que venho para a Mimo. Fui aos shows de Fernando Sodré e de Art Metal Quinteto na quinta, e do [Quarteto de Cordas de] São Petersburgo na Basílica [do Carmo, no Recife]. Não fui à missa para assistir ao show, afinal só acontece uma vez ao ano!"

Marielza se diz "cabeça aberta", que apesar de gostar de música erudita, é receptiva a ritmos populares e a propostas inovadoras como a do Manguebeat, a de Hermeto Pascoal e ainda a de Vitor Araújo. Já Elvis se diz contra a mise-en-scène desenvolvida pelo jovem pianista, como se ele quisesse "ser mais estrela que a música. Acho que o bom artista se basta da música como expressão."

Se só pela riqueza musical o show já é válido, a diversidade de opiniões torna-se um item a mais. Interessantíssimo.

Percussão e música eletrônica na Mimo 2009

Foto: Beto Figueiroa

No retorno à sua cidade natal, Jam da Silva não poderia ter feito melhor. Apresentou o repertório do seu novo trabalho para um público, em sua maioria, jovem e lotou o Seminário de Olinda. Quem não conseguiu pegar o ingresso, pôde acompanhar todo o show pelo telão que foi instalado no pátio externo.

Com músicas muito dançantes, samples e projeções na parede, Jam da Silva conseguiu criar o clima perfeito para a sua proposta de trabalho. Dia Santo (nome do CD de Jam e também de uma de suas músicas) contou com a participação da sua co-autora Isaar. A música ainda foi repetida ao final do show, como uma espécie de bis.



Entre os vários artistas que foram prestigiar o lançamento do novo trabalho de Jam, estavam o cantor e compositor Lula Queiroga e o também cantor, compositor e rabequeiro Maciel Salu.

"Quem se candidata a reger?"

Já podemos perceber que os shows e concertos da Mimo são bastante dinâmicos e que, de vez em quando, alguém faz algo diferente. Na tarde de hoje, o maestro Isaac Karabtchevsky deu um exemplo de espontaneidade e simpatia: a apresentação dele com a Orquestra Sinfônica do Recife contou com uma pequena "aula de regência". O maestro mostrou para a plateia como os músicos das orquestras respondem aos movimentos da batuta de um maestro. "É uma comunicação que funciona quase que por telepatia", brincou.

O público foi convidado para participar da "aula", cantando em coro notas graves e agudas. Além disso, o professor contou a história da utilização da batuta na regência das orquestras.

"Quem se candidata a reger? Aluno meu não vale. Quem nunca pegou numa batuta?", perguntou o maestro. Duas mulheres se voluntariaram e, com a ajuda de Karabtchevsky regeram os músicos na Abertura da ópera Carmen.

Eu faço a Mimo

“A apresentação foi um sucesso e a participação do público foi fundamental para esse êxito. Concertos assim são muito bons para que a gente tenha consciência do quanto o público dessa região do País é receptivo. Isso mostra que eventos como este devem ser realizados mais amiúde. [A Mimo] é uma luz que irradia criatividade no Nordeste brasileiro.”

Maestro Isaac Karabtchevsky, que regeu a Orquestra Sinfônica do Recife na tarde de hoje, na Basílica do Carmo.

Basílica do Carmo lotada


Diante de uma Basílica da Carmo lotada, a Orquestra Sinfônica do Recife realizou concerto regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky, referência em regência no País.
Por causa da missa que seria realizada no local, a orquestra teve que respeitar o horário previsto, deixando de tocar duas obras previstas no programa. Em compensação, a Suíte nº 1 da ópera Carmen, fez o público aplaudir de pé o conjunto. "[Carmen] é uma das obras mais bonitas da literatura", defendeu o maestro antes de começar a reger.
Em seguida, a plateia, que por sinal tinha muitas crianças, pôde escutar a um dos movimentos da Sinfonia "Italiana" de Mendelsohn. "Para alegrar a noite de vocês, vou tocar essa sinfonia que está no meu coração", disse Karabtchevsky.

Solta o som!

A playlist da festa da Mimo no MAC ontem à noite foi a cara de Pernambuco, uma mostra de miscelânea cultural. O Hino do Elefante, que homenageou Olinda e foi cantado em coro por todos os presentes, foi seguido por Thriller, de Michael Jackson! O repertório também teve espaço para Reginaldo Rossi e Cássia Eller e a pista de dança ficou lotada madrugada a dentro. Entre os ilustres da festa, estava também o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, esbajando animação.

Estive na Mimo

"Pra mim, foi muito emocionante ver aqueles "velhinhos" dividindo o palco com cantoras mais jovens e tocando músicas que eu escuto desde pequena, e que tanto me instigam quando vejo o DVD do documentário da banda. Mesmo sem grande parte dos músicos que fizeram o filme, o show em Olinda ontem foi muito bom de se ver. A noite agradável, muita gente alegre e colorida circulando pelas ruas da cidade, embalados pela salsa caribenha. Todos os ingredientes pra um show especial. Gente de todas as idades e presentes ali pelo simples motivo de querer presenciar a mais esperada atração do Mimo. Aliás, deu tanta gente que acho que nem os vendedores ambulantes esperavam. Faltou bebida perto do show, mas nada que atrapalhsse a noite tão recheada. Em resumo, dancei, pulei, cantei, me emocionei. Realmente, um show que vai ficar na memória."

Luiza Ramos, estudante de Ciências Sociais da UFPE

Contraponto

Foto: Beto Figueiroa

Se a noite de sábado na Praça do Carmo foi de agitação e calor, a tarde de hoje foi intimista e tranqüila. Aqueles que vieram conferir a Jam Session e começar a aquecer para os eventos da noite, encontraram os metais dos alunos da Mimo executando um repertório que incluiu músicas como Espera Maria do Grupo SaGrama e Aquarela do Brasil com arranjo do Maestro Duda. Quando a apresentação acabou, a cidade de Olinda já estava escurecendo e a fila começava a se formar na porta da Biblioteca.

Encontros na Praça do Carmo

Foto: Beto Figueiroa

Em meio a um bucólico pôr-do-sol na tarde de domingo da praça do Carmo, o Quinteto de Metais em Cinco e o Coral de Metais com regência do maestro Antônio Augusto - ambos os conjuntos compostos por alunos das oficinas da Mimo - se apresentaram no coreto da praça por aproximadamente 40 minutos. A platéia pôde também conferir o solo de trompete de João Luiz Areias, integrante do Coral.

"[As jam sessions] são importantes para divulgar grupos locais e mostrar ao público os resultados das oficinas da Mimo, revelando o que se produz nesses ambientes fechados", disse o maestro logo antes de entrar no coreto para reger o Coral.

A festa continuou

Depois do show do Buena Vista Social Club, a produção da MIMO, os músicos e outros convidados continuaram a noite no Museu de Arte Conteporânea (MAC), onde rolou a festa de confraternização da MIMO. Não faltou bebida, comida e boa música! Na pista de dança, Antônio Carlos Nóbrega mostrou que é performático no palco e fora dele. E só quem foi pôde ver o russo Boris Vayner, do St. Petersburg String Quartet, arriscando sambar por lá. Até que ele leva jeito!

Mistura Fina

Qual o resultado quando você junta um pianista cubano, um vocal belga e um percussionista brasileiro!? É isso que nós vamos descobrir hoje, às 20h30, na Igreja de Sé. Os três músicos devem apresentar um repertório bastante eclético e surpreender o público.
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Foto: Beto Figueiroa

Dois dos que se apresentam hoje à noite, o Sergio Krakowski e o David Linx, ministraram worshops, ontem, dentro da programação da MIMO. Foi uma oportunidade para os que queriam aprimorar técnica de pandeiro ou de vocal de jazz.

Surpresas no Seminário de Olinda

O público que conseguiu entrar no Seminário de Olinda ontem para assistir ao concerto de Antônio Nóbrega e Orquestra Retratos do Nordeste, além de conferir o som de altíssima qualidade, teve surpresas com a iluminação do local.

No altar, eram projetados dois círculos, que, ao se posicionarem em cima da escultura de um Jesus crucificado, formavam um coração.

Bossa nova segundo Cuba

Em entrevista coletiva realizada no Hotel 7 Colinas em Olinda, Buena Vista Social Club Stars deixaram no ar a inclusão de músicas brasileiras no repertório da noite passada. Pois bem, dito e feito: a platéia teve a chance de acompanhar Idania Valdés interpretando "Corcovado", clássico da bossa nova de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

No fim da música, Idania saudou Elis Regina e Tom Jobim.

Para quem não lembra de "Corcovado", segue um vídeo de Elis e Tom se apresentando em 1974:

Cadê a cerveja?

A público que assistiu ao show do Buena Vista Social Club Stars, ontem, na Praça do Carmo, superou todas as expectativas. Nem mesmo os "gasoseiros" (vendedores de bebidas) conseguiram prever a quantidade de gente que estaria presente para assistir às lendas da música cubana.

Quem queria comprar cerveja durante o show (e não era pouca gente que queria) tinha que andar muito para achar algum vendedor. E quando achava, era uma luta para conseguir ser atendido. A saída foi esperar o fim da apresentação e sentar num dos bares ali perto para esticar a noite.

Corra pra tocar em Olinda

Às 16h, na praça do Carmo, haverá uma jam session aberta. Iniciativa inédita da Mimo que, quem sabe, pode revelar alguma futura atração da Mostra.

A ideia

Este blog nasceu de um nova linha de ação da área de comunicação da Mimo.

Em 2007 e 2008, os integrantes da assessoria de imprensa encarregados de realizar a cobertura das apresentações tinham de redigir matérias para alimentar o site, como uma pequena agência de notícias.

Agora em 2009, a Aline Feitosa, estabeleceu que o site deveria conter as matérias que saem sobre a Mimo na imprensa e na internet, ou seja, um espaço de clipping.

Assim, seria preciso canalizar o trabalho da equipe de cobertura para outro veículo. Foi então que soube por Lu Araújo da ideia deste blog, dada por Aline.

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Uma mão na roda, porque tornou-se um espaço onde podemos ser informativos e ao mesmo tempo experimentais.

sábado, 5 de setembro de 2009

Argentina um, Sport dois, Brasil três, Buena Vista dez

Em coincidência com o que postamos no Twitter, o Leonardo do Correio Braziliense também valorizou a presença maciça do público no show do Buena Vista mesmo batendo com o horário de Brasil x Argentina - sem falar que teve jogo do Sport (agora à noite na Ilha do Retiro), que ganhou por 2 a 1 do Botafogo.

DVD do Buena Vista?

Outra sacada de Seu Antônio, nota dez: "Dá pra lançar um DVD: Buena Vista ao vivo em Olinda".

Agitação cubana na praça do Carmo!

Foto: Beto Figueiroa

Duas horas não foram suficientes para que o grupo Buena Vista Social Club Stars pudesse mostrar o melhor da música cubana. Quem foi à praça do Carmo, pôde conferir o talento revelado pelo filme de Win Wenders.

E por sinal, apesar das vitórias do Sport e do Brasil no futebol, a praça estava lotada de uma platéia empolgadíssima. Os gingados e batuques vindos da ilha de Fidel embalavam os passos ritmados não só do público, como do grupo também.

Idania Valdés marcou presença com seus vocais de diva cubana.

Mesmo que a formação atual da banda não contasse com diversos integrantes da formação original, Buena Vista provou que se mantém na trilha da fineza, fiel à proposta de promover os ritmos cubanos tradicionais.

A Olinda que Seu Antônio gostaria de ver

"Esse espaço aqui [o Sítio Histórico] dá pra se fazer eventos sempre", continuou Seu Antônio, chamando a atenção pro óbvio potencial de Olinda para atrair público o ano inteiro.

Ele não se preocupa somente com a questão turística e cultural da cidade, mas também com a educativa. Falou que a Biblioteca Pública de Olinda é um Ponto de Cultura (coisa que eu não sabia) e está desenvolvendo um projeto de estímulo à leitura chamado Olinda Ler Olinda.

Nesse projeto, os alunos das escolas públicas municipais - uma por dia - vêm até a biblioteca e são envolvidas em várias atividades, como leitura orientada e mini-seminários sobre livros.

Também haverá um ônibus do Sesc que vai rodar pelos bairros olindenses, numa ação de mão dupla que vai beneficiar as escolas que não têm salas de leitura.

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Muito gentil, Seu Antônio acabou de me entregar um convite para o lançamento do projeto, dia 11 que vem, ás 10h.

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Outro funcionário bastante atencioso é Seu Luiz Pereira, que fica tomando conta do portão. Depois vejo se rola uma boa conversa com ele também.

"Isso aqui pra gente é uma novidade"

Foto: Internet - Reprodução

Seu Antônio Fernando trabalha na Biblioteca Pública de Olinda, onde está instalada a Sala de Imprensa da Mimo 2009. Ele é quem presta toda a assistência logística básica por aqui: do café às informações sobre como andar pela cidade.

Ao circular aqui na Sala, pra passar a vista no blog e bater um papo de leve com o resto da equipe, o ouvi comentar espontaneamente com os jornalistas: "Isso aqui [a Mimo] é uma novidade, porque Olinda só fica movimentada no carnaval".

E aí, seguindo a boa e velha sabedoria de Gay Talese, fui bater um papo com ele, tomando nota das coisas com o bom e velho combo "bloquinho e caneta".

"Tá vendo essa igreja? A Igreja do Carmo [próxima a qual está montado o palco da Mimo] é uma das mais antigas de Olinda. Ela só tá assim, bonita, bem iluminada por causa da Mimo. Isso aqui [o Sítio Histórico de Olinda] tem uma atratividade muito boa pra turista", diz Seu Antônio.

Pois bem, muitas vezes nós, jornalistas, queremos pegar uma declaração tão boa quanto essa e não conseguimos.
Estou sem uma câmera por perto pra poder tirar uma foto de Seu Antônio, mas deixo a de alguém que ele nem sabe que existe e que me fez notá-lo quando passou do meu lado: uma lenda viva do jornalismo norte-americano.

Homenagem ao passo

Antônio Nóbrega fez questão de homenagear nesta noite o ícone do frevo pernambucano. "O frevo, tal como conhecemos hoje é quase exclusivamente obra de Nascimento do Passo", defendeu o músico. A primeira música cantada da noite, Bispo do Rosário, foi dedicada ao recifense. “Nascimento do passo tentou reconstruir o mundo através da dança do frevo”, afirmou Nobréga.

Naturalmente...

Durante apresentação da noite de hoje, Antônio Nóbrega deu uma palhinha de seu espetáculo Naturalmente: teoria e jogo de uma dança brasileira, em cartaz em São Paulo. Hoje, o músico apresentou duas peças da obra e neste momento a música Smile, de Charles Chaplin, foi tocada. Duas bailarinas participaram das peças, sendo uma delas, Maria Eugênia, a filha de Nóbrega.

Nóbrega excplicou que o nome do espetáculo também foi resultado da amizade com Ariano, que o levou para uma palestra do escritor Garcia Lorca cujo o título era parecido. “Com um nome desses é de estranhar que o povo saísse de casa para ir assistir, mas lá em São Paulo o pessoal está indo ver", brincou.

Duda e Ariano prestigiam

Compositor residente da Mimo, o maestro Duda estava presente na plateia do show. Durante o espetáculo, Nóbrega fez citação de obra do maestro recifense.

Defensor da música brasileira autêntica e criador do Movimento Armorial, Ariano Suassuna era um dos ilustres espectadores da apresentação de Antônio Nóbrega. A presença de ariano foi percebida pelo cantor no momento em que ia apresentar música inspirada no escritor. "Compus essa música com Bráulio Tavares inspirado em Ariano. Ele costumava dizer que as pessoas eram dividadas em duas categorias: reis e palhaços", contou Nóbrega. Enquanto executava O Rei e o Palhaço, o músico dançou e contou com participação dos músicos da orquestra cantando.

Ariano, por outro lado, não poupou elogios ao colega. "Gostei muito, gostei muito mesmo do concerto. Surpreendente essa orquestra!", declarou. E para não perder a tradição, o escritor voltou a defender de maneira enfática a valorização da cultura popular. "Em qualquer lugar que smostrássemos isso, todos iam aplaudir de pé. Com essa música e essa dança que nós temos, não precisamos ficar imitando essas besteiras que aparecem por aí", concluiu.

O pastiche de Nóbrega


Noite de lua e igreja lotada esperavam o show de Antônio Nóbrega e Orquestra Retratos do nordeste, no Seminiário de Olinda. o conjunto de 12 músicos, que possui uma formação de codas dedilhadas inédita na América Latina, deu início à apresentação com duas obras de Adelmo Arcoverde. Nóbrega só entrou em cena na terceira música, quando tocou um solo de violino e foi logo seguido pelos músicos da orquestra e pelas palmas da plateia.

"O repertório que eu trouxe para esse espetáculo, esse pastiche é bastante heterogêneo", alertou o cantor, rabequeiro, brincante dançarino e pesquisador. Entre as músicas, sambas, frevos e choro.
Foto: Marcelo Lyra

Simpatia!

Após a apresentação na Basílica do Carmo, o String Quartet e o pianista Luiz de Moura Castro distribuíram simpatia. Quem ficou para falar com o quarteto tirou fotos e pegou autógrafos, além disso, vários CDs foram postos à venda. Enquanto isso, o pianista brasileiro era só atenção com jovens estudantes de música que o cercaram.

Entretenimento e educação caminham juntos


Além de apresentar um excelente concerto, o Quinteto de Sopro Brasil ainda desempenhou um importante papel: a educação musical.
Muito à vontade, a flautista Conceição Casado apresentou os músicos do quinteto e ainda deu uma breve explicação sobre cada instrumento.

No inicio da apresentação e ao final de cada peça, a seguinte era contextualizada. A aula mostrou-se eficaz e deu bons frutos ainda durante o concerto. O público, que antes aplaudia a cada intervalo, passou a se manifestar apenas com o encerramento da peça. Pode parecer uma mudança pequena, mas, na reação dos músicos, ficou visível a satisfação.

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“O mais interessante do concerto do Quinteto Sopro Brasil foi o caráter didático com que foi tratado. Ao explicar cada detalhe das peças, Conceição conseguiu que elas ficassem mais acessíveis às pessoas que tinham ali uma primeira experiência”

Victor Hugo, estudante de Ciências da Computação e aluno de Conceição Casado no curso de extensão da UFPE.

Vai começar...


Na praça do Carmo, a multidão espera para assistir ao show de Buena Vista Social Club Stars. Ontem, em entrevista coletiva, o grupo insinuou que incluiria músicas brasileiras no repertório do concerto. Será que vem surpresa por aí?

Sopro Brasil na Igreja do Rosário


Foto: Marcelo Lyra


O Quinteto Sopro Brasil fez bonito na Igreja do Rosário. Com um repertório variado que começou com Beethoven, passou pelo impressionismo francês de Debussy e chegou aos ritmos brasileiros como o chorinho e o xaxado, o grupo pernambucano mostrou o motivo de, com tão pouco tempo de existência, já ser considerado um dos mais importantes grupo de câmara do Nordeste.


Mesmo com a igreja lotada, os músicos do Quinteto Sopro Brasil se mostraram muito à vontade e interagiram bastante entre si e também com o público. Destaque para a flautista Conceição Casado, que além de apresentar todas as peças e músicos ainda brincou com a platéia.

Educação para o aplauso

Foto: Beto Figueiroa
Não é de hoje que o público recifense se atrapalha para aplaudir em concertos eruditos. Esta tarde, na apresentação do St. Petersburg String Quartet não foi diferente. Embora o diretor artístico do evento, André Oliveira, estivesse apresentando os compositores e a divisão de cada peça antes delas serem executadas, ainda houve quem não entendesse.

Quando o público aplaudiu certinho, ao final das cinco peças de Schulhoff e do Nottuno de Borodin, parecia que nesse aspecto aquele concerto seria diferente. Mas na peça de Mozart, talvez pela emoção causada com entrada do pianista Luiz de Moura Castro, as pessoas aplaudiram entre um movimento e outro, o que deixou os músicos visivelmente desconcertados.

Na última peça, de Shubert, André foi categórico: disse quem era o compositor, explicou que a peça tinha quatro movimentos e, educadamente, pediu que todos aplaudissem apenas no final. É a MIMO mostrando e ensinando a música erudita!

***
E, talvez, se tivéssemos mais incentivos para eventos como este, não faríamos feio.

Pizzicato

Para quem não freqüenta concertos de música erudita, o ato de tocar as cordas do violino, viola ou cello com os dedos pode parecer inusitado, mas esta é uma técnica comum entre os músicos e foi bastante explorada na apresentação do String Quartet de hoje.

Bravo!

Foto: Beto Figueiroa

Uma grande fila já estava formada na porta da Basílica de Nossa Senhora do Carmo, às 17h. O motivo era a segunda apresentação do St. Petersburg String Quartet na MIMO (e primeira na cidade do Recife!). Dessa vez, os instrumentistas russos contariam com um convidado especial, o pianista Luiz de Moura Castro que, ontem, se apresentou com a Orquestra de Barra Mansa.

Com um repertório composto por Schubert, Mozart, Borodin e Schulhoff (este último pouco tocado no Brasil), o Quarteto foi muito aplaudido e não faltou quem gritasse “Bravo!”.

Música popular erudita


Antônio Carlos Nóbrega se apresenta com a Orquestra Retratos do Nordeste, às 19h de hoje, no Seminiário de Olinda.
Com foco em tudo o que está ligado à música nordestina popular erudita, os músicos irão tocar obras de compositores como Nelson Cavaquinho, Ariano Suassuna e Antônio Nóbrega. Mas no repertório também tem lugar para Johann Sebastian Bach e Charles Chaplin.

Já dá para sentir

Esgotadas as senhas para o concerto de Antônio Carlos Nóbrega e Orquestra Retratos do Nordeste em menos de 30 minutos. Enquanto isso, Buena Vista Social Club Stars fazem a passagem de som na palco da praça do Carmo. Vale lembrar que o show do grupo cubano é aberto ao público. A noite de hoje promete!

Tributo aos mendigos do Maranhão

No início do Choros n° 6 de Villa-Lobos, dois blocos de madeira simulam o caminhar de uma pessoa dentro da floresta - ambientada pelos rosnados de animais na cuíca e no roncador, pelo canto da araponga no xilofone e pelo sereno da selva nas cordas, enquanto a flauta apresenta a melodia.

Originalmente, esse caminhar marcado nos blocos deveria ser tocado no tambu-tambi, um instrumento idealizado por Villa-Lobos que consiste em duas tabocas ocas de bambu - de tamanhos diferentes e fechadas em uma das entremidades - que devem ser percutidas batendo sua extremidade aberta contra uma base de madeira.

O tambu-tambi reproduz o bater das cumbucas de madeira dos pedintes cegos de São Luís do Maranhão* - e o próprio nome do instrumento é o mesmo utilizado pelos mendigos que Villa-Lobos viu ao passar pelo Meio-Norte do país.

Para não tornar inviável a execução do Choros n° 6 tão-somente pela falta de um tambu-tambi, adotou-se a prática de substituí-lo pelos wood blocks.

Fonte: Os instrumentos típicos brasileiros na obra de Heitor Villa-Lobos, de Luiz D'Anunciação (percussionista de longa carreira na Orquestra Sinfônica Brasileira).

***

* Não as cumbucas de botar o dinheiro - essa ficava de lado. O tambu-tambi servia para chamar a atenção dos pedestres, já que os mendigos eram cegos.

Músico também é gente (e se cansa) - 2

Outro visivelmente cansado pelo ritmo puxado da Mimo era o violonista Caio Cezar, que encontrei a caminho do hotel após a única happy hour do qual teve tempo de participar desde que a Mostra começou (uma cerveja de leve por meia hora ou um pouco mais) .

Master classes, oficinas, ensaio e concerto com o Trio de Câmara Brasileiro... Espero que Caio tenha dormido o sono que merece.

Músico também é gente (e se cansa)


Foto: Marcelo Lyra

A Sinfônica de Barra Mansa estava exausta mas atendeu aos apelos do público e deu três bis ontem à noite na Sé. Na verdade, um só, em três pedaços: a abertura, o intermezzo e o prelúdio e aragonesa da suíte de Carmen.

A spalla dos contrabaixos entregou os pontos quando viu que ia ser dado o terceiro bis e pediu pro companheiro de estante segurar as rédeas sozinho.

Essa quantidade de bis foi sintomática do quanto é preciso dinamizar a música sinfônica no Grande Recife. Se for oferecida boa música, e tocada com gosto, tem público garantido.

***

A Sinfônica de Barra Mansa, por sinal, atingiu nível como orquestra profissional - isso porque ela é uma orquestra jovem. Comparando com a performance dela na Mimo 2008, a evolução é sensível.

A vanguarda que hoje é cânone

Não tem compositor erudito no Brasil , bem se sabe, que seja tão tocado, tão admirado e tão considerado como canônico - aqui e no exterior - quanto Heitor Villa-Lobos.

No entanto, é de se ficar surpreso se pensarmos que ele era o compositor mais vanguardista da década de 20 e sofreu grande resistência no Brasil antes de ter carta branca do governo de Getúlio Vargas - sem falar no preconceito que mesmo assim sofria por parte de vários professores de conservatório, cujo repertório tinha parado no tempo ao ponto de não ultrapassar o impressionismo de Debussy.

Bolsas nas master classes

Alguns alunos das master classes ganharam bolsas de estudos para participar de festivais no exterior. Entre eles, os irmãos Karolayne Santos, violinista de apenas doze anos, e Ricardo Cavalcante, violista.

O samba de Vanzolini

Para quem gosta de samba - e para quem não gosta também - o filme "Um Homem de Moral", sobre a vida e obra do zoólogo e sambista Paulo Vanzolini, será exibido hoje no pátio da Igreja da Sé às 18h30. O autor da famigerada "Ronda" é considerado, ao lado de Adoniran Barbosa, o representante do que há de melhor no samba de São Paulo. Adiante, o trailer do filme para quem ficou com vontade:

Uma aula casual e em carne viva

Laura Cortizo me chamou a atenção para um fato muito emblemático ontem, no concerto do Duo Milewski.

Última quinta, na aula de Crítica Musical*, falamos de Movimento Armorial, Mangue Beat e Tropicalismo. Pois ontem estavam no mesmo concerto Cussy de Almeida - maestro da Orquestra Armorial na década de 70, e no revival dela na década de 90 - e Fred 04, do Mundo Livre S/A.

Só faltou o tropicalista Jomard Muniz de Britto, que certamente deve ser visto em algum concerto daqui até segunda.

***

Fred 04 chegou atrasado e sentou-se do meu lado, mas como não o conhecia de feição, não me dei conta de quem era. Quem me abriu os olhos foi Laura, depois do concerto.

***

* Os outros quatro integrantes deste blog são meus alunos nessa disciplina, na UFPE.

Quase uma maravilha. Aliás, sempre uma maravilha


Foto: Beto Figueiroa

O Convento de São Francisco, em Olinda, e sua igreja anexa, onde se apresentou o Trio de Câmara Brasileiro ontem, foram candidatos na campanha para eleger as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo.

A outra candidata pernambucana foi a Capela Dourada, no centro do Recife. No entanto, essa campanha não foi divulgada no Estado por causa do comprometimento do governo com a das Sete Maravilhas Naturais, na qual estava Fernando de Noronha.

O resultado é que Pernambuco acabou não levando nem numa, nem outra. Mas nem por isso, as igrejas e paisagens do Estado deixam de ser maravilhas para aqueles que têm bons olhos.

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Quando entrarem novamente na Igreja do Convento de São Francisco, amanhã no concerto da pianista mineira Joana Boechat, prestem atenção nas paredes laterais, onde se encontra um dos mais belos e ricos registros em azulejo português no mundo, retratando a Via Sacra.

Buena Vista Social Club Stars por Win Wenders

Um trailer do documentário que imortalizou os ritmos tradicionais da música cubana.

Foi de chorar

Foto: Beto Figueiroa

Por ideia de Alla Aranovskaya, o Quarteto n° 8 de Dmitri Chostakóvitch* foi colocado no meio do programa, apresentado no Mosteiro de São Bento, em vez de encerrá-lo.

Ela imaginou que o dramático quarteto, carregado dos conflitos sofridos pelo compositor russo durante o regime soviético, iria resvalar sua carga emocional nos ouvintes. E acertou. A própria Alla confessou ter se emocionado durante a execução.

André Oliveira, consultor artístico da Mimo, que fez as vezes de mestre de cerimônias e realizou uma preleção antes da peça, foi outro que "Pagou mico" - conforme disse brincando.

Na opinião da biomédica Wilma Basto, que assistiu ao concerto com a mãe, D. Terezinha, e também se impressionou com a peça, todo mundo iria sair triste do concerto, se Chostakóvitch fosse o último a ser tocado.

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* Aderindo à nova convenção de transliteração de nomes russos para o português.

Toninho, o audaz!



Ontem, no Seminário de Olinda, a última música apresentada pelo ex-Clube da Esquina, Toninho Horta, foi "Manuel, o audaz". A composição, feita na década de 70 com a parceria de Fernando Brant, fala de liberdade, mas foi inspirada em algo bem mais simples: um jipe modelo 1951.

Hoje é dia de Buena Vista!



Foto: Beto Figueiroa

O grupo Buena Vista Social Club, imortalizado pelo documentário de Wim Wenders, chega hoje à Olinda para fazer um dos shows mais esperados desta edição. Para a apresentação de hoje na Praça do Carmo, os cubanos trazem uma formação bem diferente da original, mas continuam carregando consigo a mesma aura de 10 anos atrás.


Para Sérgio de Andrade, cantor e compositor da Banda de Pau e Corda, "o show de Buena Vista e o de Hermeto Pascoal são os imperdíveis deste ano. O primeiro pela qualidade da música e pela lenda que os cerca, e o segundo pela genialidade de Hermeto, que dispensa qualquer comentário".

O CD não veio

Foto: Beto Figueiroa

Ao contrário do que se esperava, o CD "Saudades de Princesa", que traz todo o repertório apresentado pelo Trio de Câmara Brasileiro na noite de ontem, não foi disponibilizado para venda no evento. Os integrantes disseram que houve um contratempo, mas que voltarão ainda esse ano para fazer divulgação. Ok, vamos aguardar!

É Bizet, viu, Seu Cabral?


Foto: Marcelo Lyra.

Após passar pela experiência de estar do lado de dentro de uma orquestra, o aposentado José Augusto Cabral, foi interpolado pelo maestro Guilherme Bernstein sobre o que sentiu. Ele respondeu: "Uma orquestra linda e maravilhosa tocando Tchaikovsky".

Só que ele tinha ouvido a abertura da Carmen. Errou porque estava emocionado, talvez.

***

Mas o senhor assobia que é uma maravilha, viu, seu Cabral?

Ao entoar o tema do toureador pra provar que sabia que era Bizet, o maestro Guilherme Bernstein quis mandá-lo de volta pra orquestra, para se sentar do lado da flauta, porém Seu Cabral ficou acanhado e voltou pro seu lugar.

Pega aqui em casa

O DVD do documentário Música e perfume, exibido ontem na Mostra de Cinema da Mimo, veio direto de Paris

Das mãos do diretor, Georges Gachot, pras de Lu Araújo - numa conversa regada a bastante Pixinguinha num típico café francês.

Estive na Mimo

"Toninho Horta ele quebrou tudo hoje aqui no seminário! Acompanhado por quatro feras em seus instrumentos ficou até fácil! Pena que o som não estava à altura, mas foi bonito ver todos os músicos tocando sorrindo no palco e a interação da plateia com tanta beleza sonora. O repertório de classicos ajudou bastante, e todos executaram solos belissimos, sensacional!"

Fred Lyra, guitarrista e estudante de música da UFPE

Krzesimir Dębski na Mimo?

Foto: Internet - Reprodução.

Foi o que Jerzy Milewski comentou com o público em seu concerto de ontem, na Igreja da Ordem Terceira. Houve conversas entre ambos, mas compromissos maiores impediram que se concretizasse a presença do compositor polonês residente nos Estados Unidos - que é maestro, violinista de jazz e compositor de trilhas sonoras.

Só não procede a informação de que ele seria ganhador de três Oscars.

***

As duas peças de Dębski (copiar e colar esse "e cedilha" cansa) no repertório foram Yiddish fiddle e Country in mi, esta executada ano passado no concerto de Jerzy e Aleida com a Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque e o maestro Cussy de Almeida, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Country in mi tem um trecho em que o pianista acompanhador bate palmas no ritmo da música. Quando Aleida, ontem, o fez, a plateia aderiu no maior entusiasmo - pra surpresa do casal.

Glossário de pronúncia de nomes de compositores poloneses

Essa é para os apreciadores de música clássica.

Já que mencionei Krzesimir Dębski, que se diz "Chêrchimir Dêmski", aí vai um gabarito pra você fazer bonito na hora de conversar com quem entende.

  • Henryk Wieniawski (Hênrique Vieniávisqui)
  • Emil Mlynarski (Emil Milinársqui)
  • Ignacy Jan Paderewski (Ignátsi Ian Paderévisqui)
  • Karol Szymanowski (Cárol Chimanóvisqui)
  • Grażyna Bacewicz (Grajina Batsévitchi)

Outro violino andarilho

Jerzy Milewski pode ser um violinista erudito, mas a seleção de músicas que ele escolheu teve tanta amplitude de ethe* musicais quanto a de Didier Lockwood e Ricardo Herz. Foi música polonesa, húngara, country norte-americana, iídiche, carioca... e Villa-Lobos.

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* Plural de ethos. Quis dizer variedade de espíritos musicais, porque "de estilos" musicais ia lidar somente com o sentido estético.

Do lado de dentro

Foi assim, cercado por instrumentos da Orquestra de Barra Mansa, que José Augusto Cabral escutou a abertura da suite da ópera Carmem, de Georges Bizet. José Cabral é professor de Saúde Pública e se diz amante da música clássica. “A música eleva nosso espírito”, afirmou.

Ao escutar o maestro da orquestra de Barra Mansa convidar um voluntário para “entrar” na formação do conjunto, o professor logo se ofereceu. “Não conhecia a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, mas admiro muito as orquestras jovens e como sou tímido, me ofereci”, brincou José. “Foi uma maravilha escutar todos aqueles sons estando dentro da orquestra”, concluiu.

SUITE – Termo bastante presente nos repertórios das orquestras, a suite se refere a uma espécie de pout-pourri da obra inteira, que normalmente é bastante longa, pois são balés ou óperas na maioria das vezes. Nesse caso, a execução é apenas instrumental e é dividida em partes como abertura, intermezzo, prelúdio, etc.

A orquestra quer sambar

Você já viu uma orquestra sinfônica com bateria de samba? Não? Mas foi o que o brasileiro Heitor Villa-Lobos fez quando compôs o Choro Nº 6. Para prestar homenagem aos 50 anos da morte do carioca a Orquestra de Barra Mansa apresentou a obra às dezenas de expectadores da Igreja da Sé. Na ocasião, instrumentos como a harpa, o corne inglês e a flauta apareceram junto ao pandorin e ao surdo para formar uma música instrumental com a cara do Brasil.

“Villa-Lobos costumava dizer que compôs o Choro Nº 6 inspirado nos cheiros e sabores do Brasil”, contou o maestro. Na obra, podemos identificar sons que aludem ao barulho de florestas, além do samba e de melodias que se aproximam à seresta e à marcha-rancho.

Força musical de Barra Mansa

O impacto da jovem orquestra de Barra Mansa pôde ser sentido com a abertura da ópera La Forza del destino. Foi com a obra do italiano Giuseppe Verdi que os 92 músicos, com idades entre 14 e 24 anos, abriram o concerto na Igreja da Sé, na segunda noite de apresentações em Olinda. O som grave dos seis contrabaixos presentes na formação deu um tom firme e pesado aos primeiros momentos do concerto.

Em seguida, os metais deram lugar ao piano de Luiz de Moura Castro. Músico brasileiro consagrado internacionalmente, antes de começar a executar a obra, ele afirmou ter origem nordestina e revelou-se orgulhoso de estar tocando em Pernambuco. Junto com a orquestra, o pianista tocou o concerto nº 3 em Dó menor para piano e orquestra. A segunda e mais longa obra apresentada na noite do dia 4 de setembro arrancou da plateia vários e merecidos aplausos e gritos de “bravo!”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Reencontro com Paulinho

Antes que o Trio de Câmara Brasileiro executasse a música "Reencontro com Paulinho", Caio Cezar contou que esta composição de Canhoto da Paraíba foi uma homenagem ao Paulinho da Viola. Eles se admiravam mutuamente e tocaram juntos diversas vezes.

Para quem ficou curioso, um link com uma apresentação dessa parceria:


A mineirice sofisticada de Toninho Horta e Orquestra Fantasma

Foto: Beto Figueiroa

A finesse sobrevem em Toninho Horta e a Orquestra Fantasma. Convidados pela MIMO para tocar no Seminário de Olinda na sexta-feira 4, fizeram retinir, retumbar e ressonar um repertório que ia do bossa-novístico à sonoridade típica do lendário Clube da Esquina.

Em uma hora e meia de show, ao lado de Yuri Popoff (baixo), Lena Horta (flauta), Neném (bateria) e André Dequech (teclados), o mineiro, considerado pela crítica como um dos maiores guitarristas de jazz, mostrou seus sons nas instrumentais “Vento”, “Pilar” – que contou com solos de baixo e teclado – e na jazzística melancolia de “Paris”, composta por Dequech.

Apesar de algumas questões técnicas, o grupo mostrou a que veio, animando o público e convidando-o a participar com palmas na execução de "Pras Crianças". A apresentação contou ainda com "Era Só Começo O Nosso Fim" de Yuri Popoff e solos de Lena Horta, na flauta, de Popoff no baixo e de Neném e sua potente bateria.

Perto do final do show, Toninho parabenizou a MIMO e elogiou a produção musical pernambucana, consagrando nomes como Sivuca, Hermeto Pascoal e Alceu Valença. Para encerrar, o guitarrista tocou "Manoel o Audaz", parceria com Fernando Brant, mineiro compositor de "Travessia", "Maria, Maria" e "Canção da América". O público, que aplaudiu de pé, pôde ainda conferir as músicas "Vôo dos Urubus", "Beijo Partido" e "Aqui Oh".

Para um grande compositor... grandes arranjos!

Foto: Beto Figueiroa

Quem compareceu ao Convento de São Francisco, na noite de hoje, para assistir à apresentação do Trio de Câmara Brasileiro, não se arrependeu. Embora já se soubesse que o repertório seria formado por canções do compositor Canhoto da Paraíba, ninguém podia prever a emoção que os arranjos executados pelas mãos do bandolinista Pedro Amorim, do cavaquinista Alessandro Valente e do violonista Caio Cezar iriam despertar.

O público apreciou, em primeira mão, três canções inéditas do paraibano: “Tem dó”, “Gaguejando” e “Entrando na bossa”. Enquanto os três instrumentistas se mostravam bastante à vontade “no palco”, as pessoas acompanhavam o ritmo dos choros com o balanço do corpo e, ao final, aplaudiram de pé a apresentação, que terminou com a música “Glória da Relâmpago”, um clássico de Canhoto da Paraíba.


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Impressões de quem viu e ouviu:

"Canhoto é um ícone na música instrumental brasileira e o Trio de Câmara fez uma apresentação a altura do compositor. Os arranjos, de difícil execução, exigem um nível técnico apurado. Foi coisa de primeira qualidade, posso garantir que não é qualquer instrumentista que pode fazer!"

Ledjane Sara, cavaquinista, bandolinista e professora de música do Colégio de Aplicação da UFPE.

Música erudita no Mosteiro de São Bento


Foto: Beto Fiqueiroa

Nem o clima, nem o público (visivelmente desacostumado a concertos eruditos), atrapalhou a performance do St.Petersburg String Quartet. Em aproximadamente uma hora e meia de apresentação, o quarteto de cordas da Rússia arrancou aplausos e conseguiu reunir um público muito heterogêneo.

Apesar do olhar surpreso do violoncelista Leonid Shukayev, quando aplaudido num intervalo entre os movimentos da primeira peça, os músicos mostraram-se muito concentrados durante toda a execução.

Para o pianista Vitor Araújo – que chegou após o término da primeira peça – os aplausos, mesmo que fora de hora, são muito bem-vindos e revelam uma característica muito interessante do público local: “os aplausos servem como retorno para o artista e demonstram a sinceridade e o calor com que os pernambucanos se relacionam com a música”.

Repertório eclético no Recife

Um oásis sonoro no fim de tarde caótico no centro do Recife. Assim foi a apresentação do Duo Milewski na Ordem Terceira do Carmo, a primeira das três apresentações que irão acontecer no Recife este ano. Após um breve ensaio, o casal Jerzy Milewski e Aleida Schweitzer, apresentaram pelo sexto ano consecutivo na MIMO, trazendo um dos repertórios mais ecléticos da mostra. Ela no piano, ele no violino. Um casamento de quarenta anos marcado pela harmonia da música.

O concerto teve início com duas músicas ciganas bem animadas: Ungarish, de Halvorsen , e Hejre Kati, de Hubay. Em seguida, foram tocados dois choros de W. Azevedo: Pedacinho do céu e Vê Se Gostas. Mas não só os clássicos tiveram vez, a música country de Debski – queridinho de Hollywood - também teve espaço na apresentação, chamando os espectadores para participar com palmas. Também de Debski, foi executado um choro judaico, que com trechos de notas extremamente agudas seguidas de trechos graves emocionou o público.

Enquanto executa cada obra, Milewski parece respirar junto com o violino. Longe de ser coadjuvante, Aleida, por sua vez, dá vida ao som do violino do marido e acentua principalmente as obras mais animadas. A sintonia do casal foi sentida pela plateia, que interagia bastante com o violinista. Espontâneo como se tivesse nascido no Brasil, Milewski passeou pela igreja, tocando para membro da plateia e tornando o espetáculo ainda mais dinâmico.

A sensação da noite, entretanto, ficou por conta da presença do maestro pernambucano Cussy de Almeida, que recebeu uma homenagem no concerto. O duo tocou uma releitura de Pixinguinha feita pelo maestro pernambucano. “Não esperava essa surpresa, mas é sempre muito bom ser homenageado. Massageia nosso ego”, revelou o maestro, que já tocou a dois violinos com Milewski. O violinista, por outro lado, ressaltou a importância de Cussy. “Toco obras dele na Europa e o público sempre aplaude de pé”.

Desta vez, apesar de não lotar a igreja, a plateia estava entusiasmada ao ponto de, após o término, pedir que o violonista voltasse. Milewski respondeu à altura, voltou e encerrou a apresentação com o clássico tango Adiós Nonino, do argentino Piazzola.